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domingo, 26 de dezembro de 2010

Ano Novo, Vida Nova!


Amo Natal. Mas amo ainda mais o Ano Novo. Novos sonhos, perspectivas e projetos. Além do que, a mistura das duas datas é uma combinação perfeita: muita luz e cor. Tudo o que adoro: família reunida, abraços amigos, comida boa e troca de presentes.

Para fazer do ano de 2011, um ano melhor e com mais conquistas, deixo aqui uma dica minha e da Fran: a carta dos desejos.

1. Você vai fazer uma carta (pode ser para sí mesmo, para o anjo da guarda, Deus, mentor, Buda, Nossa Senhora da Bicicletinha Rosa, ou seja lá quem for).

2. A carta deve ser escrita como se você estivesse no fim de 2011, agradecendo por tudo o que conquistou! É aí que vem os desejos do próximo ano.

3. Exemplo: Obrigada pela aprovação no concurso, pela quitação do meu apartamento e por ter conseguido me manter na academia durante todo ano de 2011.

4. Termine a carta, lacre e guarde.

5. A carta só deve ser aberta no final do ano que vem, para você fazer um balanço das conquistas


Estudos apontam que aquilo que afirmamos ser verdade, vai se concretizando por meio dos nossos atos, muitas vezes de forma inconsciênte. Pensamentos positivos e a firme convicção de uma conquista, pode nos levar a ela. Ou, como diria Paulo Coelho, "quando queremos muito uma coisa, o universo inteiro se conspira para realizá-lo".

Um excelente 2011 a todos. Que os desejos mais profundos de todos nossos seguidores se realizem, conforme a vontade e o merecimento de cada um.

Ana Carol e Fran

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Espetáculo de Dança


Pessoas queridas, nos dias 09 e 10 de dezembro às 20:30 no Teatro Madre Esperança Garrido (Colégio Santo Agostinho) o Studio Rossana Cardoso Ballet & Art apresenta o espetáculo "Lenda de Arthur". O espetáculo é inspirado na cultura celta e no livro Brumas de Avalon.
Nós do flamenco faremos algumas participações.
Vale a pena conferir!
Ingressos a R$ 20,00 (tenho alguns para vender em bons lugares).
Ps: a arte do cartaz não é das mais bonitas, mas eu garanto a qualidade e beleza do espetáculo.


Fran

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Familhês

Outro dia, conversando com meu marido ele disse algo num tom de voz muito baixo e embolado. Eu, prontamente comentei: “- Nossa Juruna! ‘Traz a bacia’ por que eu não entendi nada do que você falou”. Ele obviamente não entendeu e perguntou - “Traz o quê?”. Quando me dei conta expliquei: - ‘Traz a bacia’ é uma expressão que eu e minhas primas usamos para dizer que a voz ou o som da TV está muito baixo. Por quê? Bem... o nosso tio-avô Antônio era surdo-mudo e com complicações neurológicas, quando estava muito velhinho ficava o dia todo em frente a uma televisão no mute, com uma bacia de cerragem do lado para cospir a saliva que não conseguia engolir. Como crianças são más, ‘Traz a bacia’ é uma alusão ao hábito do tio de assistir TV no mute. Daí para virar piadinha e depois hábito foi um passo!
Toda família tem aquele dialeto próprio, gírias muitas vezes incompreensíveis para quem está de fora. Quase sempre estas palavras têm uma história por trás ou uma explicação maluca. Em outras situações é também uma piadinha interna, absolutamente sem graça para quem está de fora, mas que passa de geração para geração.

Para o meu pai, quando a criança está inquieta procurando algo para fazer ou “inventado moda” ele diz que Fulano “está caçando a Joana”. Eu não sei o que a Joana nossa ex-vizinha tem a ver com isso, mas minha mãe, eu e minhas irmãs adotamos a expressão.

Quando alguém, em especial uma criança, é muito custosa ele diz que Ciclano “tem fogo no butão”. E a gente fala isso, como se não estivesse proferindo nenhum palavrão.

Na família da minha amiga Roberta, “códemiro” é a expressão usada para acusar jocosamente alguém de estar usando uma calça com a cintura alta demais. Quer saber da história? O tio Claudemiro gostava de usar suas calças assim. A sua esposa, que era nordestina, o chamava de “Códemiro”. A Dna. Lena (mãe da Roberta) e seus irmãos riam muito do visual do tio e seu apelido virou sinônimo de “você está ridículo com esta calça centropeito”. Hoje a terceira geração deles também usa a palavra e nem sabe o porquê.

Eu poderia fazer uma lista imensa de expressões engraçadas, mas talvez elas tenham graça só para mim. Então eu queria saber, qual é o seu “familhês” preferido?

Fran

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Modernidade

Os tempos são outros. Relacionamento entre homem e mulher (no singular) é coisa de gente antiga, antiquadra. Titulo de gay, hétero, bi é algo completamente retrógrado. O negócio é ser livre. Ficar com quem quiser, seja masculino ou feminino. Outro dia alguém falou que a essência é o que importa. Ser fiel e monogâmico também é careta. Ter um só companheiro é não saber curtir a vida. Esse é o pensamento atual, que me assusta.

Neste mundo andrógeno, sou um alienígena. Eu sou careta, monogâmica e hétero. Sou o estopim do antiquadro. Não tenho curiosidade de como é ficar com uma mulher e nem curto mènage à trois. Sou a favor da felicidade nas suas mais divesas maneiras. Acho que o amor tem que sublimar as diferenças de raça, cor e sexo. Mas não posso concordar com a poligamia, seja qual for a orientação sexual.

Eu gosto de exclusividade, assim como me mantenho exclusiva. E com as coisas do jeito que estão, acho a relação mogâmica por opção (e não por imposições sociais ou religiosas) a mais bela expressão do amor. Preciso de um alguém que seja meu, tão meu que tenha meu nome.

O fim da repressão sexual causou uma certa confusão mental, que faz com que as pessoas queiram explorar ao máximo sua sexualidade. Questão de opção. Continuo achando que ter um único amor eterno enquanto dura é mais saudável e gostoso. Afinal, quem não gosta de ter um coração que seja somente seu?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Dance Quote

Escrever gasta tempo, fosfato e libido. Às voltas com a tese de mestrado, tudo que me resta é reproduzir alguns pensamentos sobre dança que bem que podiam ser meus. E por que sobre a dança? Por que sapateando, contando, marcando o ritmo esqueço do resto. Sou só aquele corpo em movimento.

*Dancing: the vertical expression of a horizontal desire legalized by music.  ~George Bernard Shaw
Dança: a expressão vertical de um desejo horizontal legalizado pela música.

*Dancing in all its forms cannot be excluded from the curriculum of all noble education; dancing with the feet, with ideas, with words, and, need I add that one must also be able to dance with the pen?  ~Friedrich Nietzsche
A dança em todas suas formas não pode ser excluída do currículo de toda educação nobre; dançar com os pés, com ideias, com palavras, e, é preciso acrescentar que é necessário ser capaz de dançar com a caneta?

*Dancing is the poetry of the foot.  ~John Dryden
A dança é a poesia dos pés.

*To dance is to be out of yourself.  Larger, more beautiful, more powerful.  ~Agnes De Mille
Dançar é estar fora de si. Maior, mais bonita, mais poderosa.

*Movement never lies.  It is a barometer telling the state of the soul's weather to all who can read it.  ~Martha Graham
O movimento nunca mente. Ele é um barômetro dizendo o clima da alma para todos aqueles que sejam capazes de lê-lo.

*Talk about dance?  Dance is not something to talk about.  Dance is to dance.  ~Peter Saint James
Conversar sobre dança? Dança não é algo para se conversar. Dança é dança.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Estranha semelhança


O dia amanheceu cinzento, a atmosfera parecia estranha. O ar pesado incomodava. Uma sensação de calor e compressão bizarra para um dia qualquer como aquele.
De repente pessoas correndo, tentando se proteger, pois o pior poderia acontecer se ficassem por ali. Trânsito anormal e uma certa tensão no ar.
Eis que verte o líquido.
O céu volta a ficar azul, um frescor gostoso toma conta de todos ao seu redor. Alegria e bom humor.
Chuva? Não. É só o fim de mais uma TPM.

Por Francielle Felipe

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pânico de biquini

Estamos na primeira semana de setembro e um mau súbito me acometeu enquanto corria na esteira da academia: medo do biquíni que pretendo usar no final de dezembro ou janeiro do próximo ano.

Entre reações de ojeriza e olhadas insistentes para o espelho, concluo que talvez fosse a hora de aposentar o biquíni e adotar o democrático maiô. Comprime a barriga, disfarça os pneus, etc, etc...

Pensando bem, maiô não é coisa de vó? Aumento a velocidade da esteira para poder “pensar” melhor.

Depois de observar manchetes de revistas de boa forma e fitness, vêm as idéias brilhantes: E seu eu me alimentasse apenas de shakes nos próximos três meses? Quanto custa a meia calça invisível da Joelma (Banda Calipso)? Por que eu nem estou assim tão gorda, se conseguisse disfarçar as celulites com essa maquiagem para as pernas já estaria de bom tamanho. Será que é a prova d’água? E massagem modeladora, resolve? Auriculoterapia para emagrecimento, bambuterapia, carboxiterapia, ultrassom, plataforma vibratória e outros instrumentos de tortura em uma única sessão. Será que cabem naquele meu intervalo de uma hora? Será que o Dr. Lázaro ainda comercializa fórmulas clandestinas? E o tal do chá verde, hein?!

Sinto um suor frio escorrendo pelo rosto. Taquicardia. Ai meu Deus, me ajuda! Talvez seja a hora de procurar um psiquiatra.

Eis que ouço uma voz distante e grave: “Diva, por favor, sem histeria!”.

Meio tonta, saio do transe e volto à velocidade 5.7 da esteira.

Por Francielle Felipe

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Informe-se

Nada pior do que gente limitada. Cremes, academia e aulas de etiqueta não sustentam o título de Diva. Vamos tomar cuidado com o que a gente diz, escreve ou simplesmente encaminha por email a respeito das eleições e dos candidatos. A internet está lotada de informações falsas e/ou desencontradas sobre alguns candidatos. As pessoas não sabem o que é direita, esquerda, golpe militar, anistia, UNE e outras palavrinhas básicas para qualquer eleitor.

Eu recebo cada email de pessoas que já eram adultas na época do Golpe Militar, que dá vontade de me afogar num cuspe! Acho que estava em Marte quando tudo aconteceu. Vamos esclarecer algumas coisas: a maioria desses grandes políticos da atualidade, que estão concorrendo à presidência, senado e câmara federal atuou na UNE e em outras instituições estudantis, a favor de um País mais justo e democrático. Ou seja, eram contra o regime militar e lutaram contra isso.

Lutar contra um regime vigente pressupõe burlar regras e leis. Logo, ir preso. Então, esqueçam estes emails com piadas ou com acusações sem uma fonte segura na hora de escolher seu voto. Analise como está o País e como você quer que ele esteja nos próximos 4 anos. Um pouco de reflexão não faz mal a ninguém. Assistir ao horário eleitoral parece chato, mas conseguimos entender melhor as propostas dos candidatos e dos partidos. E lembre-se do que viu e leu durante os últimos anos sobre os candidatos e pense em qual merece seu voto de confiança.

Deixe de se omitir nas discussões políticas. Apresente sua opinião, ela é importante para que dúvidas sejam sanadas e mais conhecimento seja compartilhado. Mais do que mulheres gostosas e bem maquiadas, o Brasil precisa de Divas formadoras de opinião, que sabem o que querem para seu País.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Destino, Belém

Amortecida pela visão aérea da floresta amazônica, já desci do avião simpática às suas linhas diante da exuberância dos rios que formam a península onde a cidade se localiza. Senti o baque do calor úmido e da pressão atmosférica fortemente. Mas, o universo desconhecido e de beleza surpreendente que se descortinou aos meus olhos me deixou tão espantada e envergonhada com o desconhecimento daquilo tudo, que logo me recuperei e lá fui desbravar aquela cidade.

Pôr-do-sol na Casa das 11 Janelas
Entre palestras, mesas redondas e apresentações de artigo, a cada dia uma nova descoberta. Belém é cheia de sabores, cheiros, história, natureza e cultura.

Pausas belas e saborosas na Casa das Onze Janelas e na Estação das Docas na companhia bem humorada da Márcia, minha amiga de luta acadêmica e companheira desta viagem. Um pôr-do-sol inesquecível. Chopp artesanal. Vento no rosto. Filhote com crosta crocante e risoto de maçã. O M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O Sorvete da Cairu. Saquerinha. Ar condicionado.

A imponência da Catedral da Sé, sua beleza e um pouco de história. Imagens do inacreditável Círio de Narazaré. Museu de arte sacra. Fé.

Márcia comprando o "Cheiro do Pará"
no mercado
Uma caminhada descontraída no Mercado Ver-o-peso. A cara do povo e seus sotaques. Calor. Suor escorrendo por todo o corpo. Essências perfumadas das plantas amazônicas, ervas para todos os objetivos: “O cheiro do boto”, “Tira Chifre”, “Engravida Rápido”, “Viagra da Floresta”. O odor da maniva em cozimento. A praça dos pescadores.

A arquitetura da cidade velha e a magnificência dos prédios do ciclo da borracha. Tudo de encher os olhos.

Rose, eu, Profa. Telma, Profa. Cintya
e Aline 
Não poderia deixar de mencionar os taxistas, que mereceriam um capítulo à parte e a simpaticíssima Rose, que nos acolheu amorosamente e “deu aulas” valorosas sobre a história de Belém.

Dentro do borboletário no
Mangal das Garças
Última parada: Mangal das Garças. Entre borboletas, vitórias-régias, pássaros e uma vista deslumbrante do rio, um “Filhote ao cheiro de kiwi e manjericão” inexplicavelmente gostoso para brindar o fim de nossa pequena jornada.

Sim, há pobreza, a comida típica parece estranha e não há saneamento básico em todos os lugares, mas Belém é muito mais que isso!

Volto na certeza que não vi tudo, mas com a sensação de quem recebeu uma grata surpresa do universo para reiniciar o semestre cheia de energia. Quer um conselho? Conheça Belém do Pará.

Por Francielle Felipe

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Com muito amor, da Carol



A vida da gente é recheada desde o nascimento à morte por momentos de alegria, dor, angústia, afeto, dentre outras surpresas que só nos são reveladas quando Deus sabe que estamos prontos para enfrentá-los. Embora muitos digam que "A ninguém é dado uma cruz maior do que pode carregar", acredito que na verdade a ninguém é dado uma cruz maior do que a quantidade de amigos para ajudar a carregar.

A Vida me ofertou um milhão de amigos (alguns deles sozinhos, valem por mil). No momento de maior susto que passei nesta existência reconheci a cada um deles. Tenho a convicção que os problemas que enfrentamos, e muitas vezes até achamos que não merecemos, são presentes de Deus. Ele oferece a grande oportunidade, algumas vezes única, de reconhecer os verdadeiros anjos desta longa caminhada na Terra. Cada gesto de solidariedade, seja ele motivado pelo amor, amizade, caridade, autrísmo ou qualquer outro sentimento positivo, representou um feixo do amor divino me invadindo e me fortalecendo.

Muito, muito, muito obrigada por cada um que viveu comigo a insegurança de ficar doente (em nenhum momento acreditei que estava doente, mas receava que poderia ficar). Deus sabe a imensa gratidão que sinto pelas energias positivas que sei que recebi. Foram elas que não me deixaram desanimar em nenhum momento. Pude sentir muito nitidamente o amor de todos meus familiares, amigos, colegas e até conhecidos. Sei que sou privilegiada por estar em meio a milhões de amigos, por isso homenageio a cada um deles neste post. Sintam-se abraçados, beijados e inundados de amor e gratidão, porque este é o meu sentimento.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Coisas que um professor precisa falar

Este é um desabafo de fim de semestre, que eu estou pensando seriamente em transformar em texto e ler no primeiro dia de aula a fim de tornar o meu trabalho mais tranqüilo. Sei que alguns colegas de docência universitária irão concordar:


Caro aluno,

Preste bastante atenção nas informações que seguem abaixo:

1 - Atestado médico não abona falta, só justifica e eu não posso fazer nada a respeito.

2 - Conciliar o seu ganha pão com a faculdade é sua responsabilidade. Portanto, declarações de trabalho não significam nada pra mim.

3 - Se você está formando é porque consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo, desta forma, também não é minha responsabilidade te fornecer tempo dispensando-o das minhas aulas.

4 - Por mais que você se recuse a acreditar, cópia da internet é plágio. E isso é crime! Aceite e viverás melhor.

5 - O mercado agradece qualquer tipo de incompetência sua. São menos concorrentes, e eu professor, membro deste mercado, tenho prazer em te reprovar por incapacidade.

6 - Desde a 4ª série que você faz provas à caneta. Essa pergunta já deu o que tinha que dar! Aliás, você já não tinha perguntado isso na N1?

7 - Você pode não acreditar, mas eu vou realmente ler seus trabalhos.

8 - Eu não dou meu endereço para entrega de trabalhos e se você aparecer por lá eu chamo a polícia. Isso é invasão de privacidade.

9 - Não acreditarás nas instruções dos seus colegas, elas certamente estarão erradas. Cola em mim que é sucesso!

10 - Não achou o texto na xerox? Conhece aquele lugar chamado biblioteca? Pois é...lá tem tudo original e é de graça, acredita?!
Ufa, tô muito mais aliviada!

Por Francielle Felipe

quinta-feira, 3 de junho de 2010

As palavras

Incrível como de repente, algumas palavras e dizeres caem no automatismo e deixam de fazer significado real, perdem sua taxa de informação: bom dia, boa tarde, vá com Deus, tenha uma boa viagem, como vai...
Raramente as proferimos almejando ou impregnando-as do seu sentido real. Me dei conta disso hoje pela manhã na fila do supermercado quando um sujeito, que nunca vi, olha para mim sorridente e diz "Bom dia, como você está?", eu meio sem jeito, no fundo implorando que ele não me importunasse mais e imaginando que tratava-se apenas de boa educação, respondo: "Tudo bem".
Ele olha para mim e comenta: "Que bom! Só da gente estar vivo, ter saúde e bons amigos não precisa de mais nada! Se Deus me conservar do jeito que estou até o fim da vida serei eternamente grato. Olha que eu não tenho nada de meu."
Sorri. Não disse nada, mas aquilo me tocou tão profundamente! (coisa de canceriana)
Parei para pensar o quanto significativo e abençoado é poder dizer que está tudo bem em sua vida. Em um segundo de prece, agradeci ao alto a existência, a saúde, os bons amigos e minha família.
Isso me fez bem, muito bem.
Realmente ouvir o que nos dizem e falar com a intenção própria de cada palavra para sentir melhor quem está ao nosso redor, faz a diferença em nossas relações interpessoais. Pelo menos fez pra mim.

Francielle Felipe

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Indicação de filme

Assisti a um filme este mês que foi estreado no ano passado: Divã. Uma comédia brasileira que vem seguindo a tendência nacional de fugir da proposta do Cinema Novo, movimento de vanguarda, que, dentre outras características, retratava a realidade brasileira. Em Divã, que tem Lilia Cabral, Diva maravilhosa, como protagonista, outra realidade é explorada: os sentimentos femininos e a auto descoberta da mulher.

Não se trata de mais um filminho para apenas encher mais os cofres da Globo (embora não tenho dúvida de que eles pensaram muito nisso). É um filme emocionante, engraçado, que tira lágrimas e risos.

Lilia Cabral é Mercedes, uma mulher de 40 anos, casada com Gustavo (José Mayer) e mãe de dois filhos, que decide procurar um psicanalista. A princípio, a decisão, que seria apenas para matar uma curiosidade, provoca uma série de mudanças em seu cotidiano. No divã, Mercedes questiona seu casamento, a realização profissional e seu poder de sedução.

A melhor amiga, Mônica (Alexandra Ritcher), companheira de todos os momentos, vê de perto a transformação de Mercedes e participa de suas novas experiências e descobertas, apesar de nem sempre concordar com suas escolhas.

O roteiro é inteligente, usa os personagens coadjuvantes para confrontar Mercedes e coloca-la em situações decisivas: quando seu casamento de 20 anos está à beira do divórcio ela conhece Theo, interpretado por ninguém menos do que Reynaldo Gianecchini. O roteiro também surpreende. Monica faz um contraponto com Mercedes. Enquanto Mercedes fica cada vez mais liberal em busca por sua emancipação como mulher, Monica é uma dondoca cujo único interesse é cuidar de sua família e o único homem pelo qual ela sente atração é o próprio marido. E um ponto positivo do texto é não faz juízo de valor dela.

No desenrolar da trama, Mercedes, que muito bem representa a moderna mulher brasileira, está em busca da felicidade. E em meio a todas as confusões e transformações da sua vida, não se diz deprimida ou infeliz. Apenas vive cada momento em sua intensidade e busca incessantemente estar em paz consigo. É um filme que indico, não só para as mulheres, que com certeza vão amar, mas aos homens, para compreenderem um pouco mais sobre a alma feminina.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Preciosas irmãs


Coisa que eu gosto é de ter irmãs, até por que eu só tenho a elas. Não sei como é ter irmãos, mas observo que quem tem muitas irmãs, como minha sogra, possui uma preciosa rede de afetos.

Por sorte, somos irmãs que se dão bem. Uma muito distinta da outra, interesses e inclinações pessoais que fazem com que esta relação seja ainda mais rica.

Nelas tenho a nostalgia do sabor das brincadeiras de boneca na infância, das epopéias que eram as “cozinhadinhas” e o auxílio sempre imprescindível do “Seu Damásio” para acender o fogo que nunca pegava.

Nelas a referência de amizade para buscar no mundo a fora, o julgamento de gosto quase sempre muito bem humorado das minhas esquisitices, o conforto de me sentir em casa e sempre bem-vinda.

Não sei como descrever o quanto eram e ainda são, divertidas e reconfortadoras nossas conversas. Digo reconfortadoras por terem a incrível habilidade de preencher o meu coração de alegria espontânea, sincera e motivação para amá-las ainda mais. Antes, pela madrugada a fora em nosso quarto comprido, com as três camas enfileiradas onde meu pai sempre aparecia para dar uma bronca, mandando a gente fazer silêncio com aquela cara de riso, do tipo “Tô aqui por que sua mãe mandou” e hoje, na cozinha da casa dos meus pais.

Preciosas conversas onde se fala de tudo, de todos, as minhas impressões de mundo são sempre atacadas às risadas e tento filosofar com minha mãe. Aliás, parece que a mãe virou um pouco irmã, e hoje mais que nunca assumiu um papel de parceria longe do tom professoral e diretora de escola de sempre.

Então é isso, é por amá-las que publicamente digo o que mais gosto em vocês. Valiosas, importantes, admiráveis e presumidas como quesito para minha felicidade.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Senso crítico

Há algum tempo eu decidi não emitir ostensivamente minha opinião sobre música, cinema e algumas outras coisas que envolvem gosto pessoal, pois é muito chato ter que se explicar.

O senso crítico ou a mera reflexão a cerca da qualidade e competência destes produtos culturais soa como inadequado ou como prepotência de quem se acha melhor que os outros. Ou, na linguagem usual, chata mesmo!

Sim eu assisto a comédias românticas, amo Julia Roberts e Johnny Depp e de vez em quando me cai um Best seller em mãos, mas o “x” da questão é: o problema não é ser popular, é ser previsível.

Sem querer ser frankfurtiana demais, mas buscando um meio termo, eu não suporto qualquer coisa onde não haja espaço para a conexão lógica, para o alento intelectual, para o esforço cerebral.

Sou contra a estagnação e falta de criatividade. Para mim, divertir significa compactuar, estar de acordo e eu não posso fazê-lo diante do Djavu que copia a inteligência popular da Banda Caplipso, nem diante do Pânico na TV que precisa humilhar para fazer humor, frente aos inumeráveis besteróis do cinema, da banda que ontem tocava pagode e hoje faz sertanejo universitário (o que é isso?!), também não danço o Funk da Piriguete por que eu nunca fui uma, dos filmes brasileiros sem personalidade que querem imitar os hollywoodianos e por aí vai.

Creio profundamente que enquanto todo mundo fica paradinho consumindo o previsível e confortável, criado milimétricamente para ser uma torrente sensorial vazia, ficamos insensíveis para o novo, compactuamos com valores incoerentes aos nossos e fazemos muita gente enriquecer a custa da nossa inércia mental.

Então, eu vou continuar sim a falar mal de muita coisa, de muitos filmes, da postura de muitas mulheres no cinema e na TV e de toda a produção de música sertaneja que toma conta dos bares da Goiânia Rock City (ai que saudade!) e incoerentemente, consumir muitas outras coisas por que eu sei que tenho essa possibilidade de escolha.

terça-feira, 13 de abril de 2010

*** (em busca de um título...perfeito?!)

Ela escolheu ser perfeita. Percebeu cedo que a maioria das pessoas julga baseado naquilo que os demais alcançaram ou conquistaram e concluiu facilmente que demonstrar suas fraquezas e limitações poderia ser muito perigoso e humilhante.
Perigoso por que a vida é uma guerra, e neste caso, demonstrar suas fraquezas seria dar motivos para ser massacrado pelo inimigo.
Humilhante, pois ao assumir para si mesma que erra, destruiria o pedestal em que se colocou e a assentaria no mesmo patamar das demais criaturas. O orgulho, massacrado, não suportaria por muito tempo e morreria sufocado.
Assim, não querendo perder seu espaço no mundo ou desapontar o orgulho que pulsa em suas veias, seguiu trabalhando minuciosamente para alcançar resultados perfeitos no dia a dia. Mas, no fundo o que ela queria era desesperadamente ser amada e aceita.
Vestiu-se de virtudes que não possuía para encobrir deformidades tão humanas como de qualquer outra criatura, limitações psicológicas, emocionais e espirituais próprias dessa nossa natureza imperfeita.
Com as próteses de virtudes, veio a doença: o perfeccionismo. Esse teimosismo em ser Deus somado à prepotência de quem acha que pode controlar todas as variáveis de sua vida.
Desta forma, propondo-se objetivos irrealizáveis amparados numa autocrítica constante, veio um sentimento de que nunca era boa o bastante e o pavor da desaprovação. Daí para achar que o controle de si mesma era sinônimo de disciplina e força, foi um pulo!
Deixou de ser complacente consigo mesma, estabeleceu critérios para medir sua eficácia, menosprezou a capacidade das pessoas ao seu redor, tolheu familiares e amigos, embarcou na agressividade e depressão diante das frustrações óbvias que enfrenta que não consegue ter uma visão realista de si.
Viu-se só. E no silêncio que desde então se encontrava, percebeu que tinha pavor de ser humana.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ser magra

Após quilos de chocolate, o assunto é recorrente: dieta já!
Para não perder a oportunidade de rir e criticar os desatinos da magreza, o humor peculiar da cartunista argentina Maitena.
Para melhor leitura, clique na imagem.

domingo, 28 de março de 2010

Páscoa no meu coração

Eita felicidade que não avisa quando, nem como vai voltar!
Não é que outro dia ganhei um poema com meu nome? “Coincidentemente”, havia vários dias que me sentia algo abaixo dos protozoários, e saber que fora inspiração para a poetisa me encheu o coração.
Coisa boba, um poeminha, uma trovinha, um simples elogio. Assim despretensioso, mas que abriu a temporada “de bem com a vida”. Como diria o livro, uma canja de galinha para a alma.
Eis que o cardíaco estava reluzente e aberto ao mundo.
Então tive um sonho com uma Bela flor que me fez um dia chorar de saudade. Ela me dizia que estava muito bem. Pequena, porém forte! As lágrimas insistiram em cair, pois jamais se esquece um grande, instantâneo e profundo amor.
Acalentada com esta breve e inusitada visita, prossegui em paz e talvez vendo muito mais cor no meu caminho.
O verão acabou, o outono (minha estação favorita) chegou e com ele toda a frescura de um tempo de frutificação.
Um dia, o vento entra pela janela e deposita no colo da irmã querida uma nova semente para brotar outra vez em seu já fértil e dócil ventre.
Peguei-me chorando outra vez! Mais um amor para chamar de meu?! Outra plantinha para cultivar e fazer virar flor no meu coração?! Sem medo de sofrer, apenas pensei: “Novos aromas para a primavera.”
Eu não sei o que fiz para de repente ser tão feliz assim, vai ver é o Menino Crístico, renascendo em Páscoa no meu coração.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Que Deusa é você?



Ví num blog de uma amiga um link de um teste sobre feminilidade e comportamento. O teste, "Que Deusa você é?" é bem legal, apesar de não ter respaldo científico. Ele aponta pontos da nossa personalidade que só percebemos quando somos postos em supostas situações. O meu teste deu que sou a "Deusa Atena – Deusa independente". Bem, com algumas coisas eu concordo, com outras não. Mas gostei do teste e deixo aí a sugestão para vocês fazerem também: http://www.bolsademulher.com/especiais/deusa_mulher-100045.html


quarta-feira, 10 de março de 2010

A difícil arte de ser mulher

Frei Betto

Hours concours em Cannes, um dos filmes de maior sucesso no badalado festival francês foi “Ágora”, direção de Alejandro Amenabar. A estrela é a inglesa Rachel Weiz, premiada com o Oscar 2006 de melhor atriz coadjuvante em “O jardineiro fiel”, dirigido por Fernando Meirelles.

Em “Ágora” ela interpreta Hipácia, única mulher da Antiguidade a se destacar como cientista. Astrônoma, física, matemática e filósofa, Hipácia nasceu em 370, em Alexandria. Foi a última grande cientista de renome a trabalhar na lendária biblioteca daquela cidade egípcia. Na Academia de Atenas ocupou, aos 30 anos, a cadeira de Plotino. Escreveu tratados sobre Euclides e Ptolomeu, desenvolveu um mapa de corpos celestes e teria inventado novos modelos de astrolábio, planisfério e hidrômetro.

Neoplatônica, Hipácia defendia a liberdade de religião e de pensamento. Acreditava que o Universo era regido por leis matemáticas. Tais ideias suscitaram a ira de fundamentalistas cristãos que, em plena decadência do Império Romano, lutavam por conquistar a hegemonia cultural.

Em 415, instigados por Cirilo, bispo de Alexandria, fanáticos arrastaram Hipácia a uma igreja, esfolaram-na com cacos de cerâmica e conchas e, após assassiná-la, atiraram o corpo a uma fogueira. Sua morte selou, por mil anos, a estagnação da matemática ocidental. Cirilo foi canonizado por Roma.

O filme de Amenabar é pertinente nesse momento em que o fanatismo religioso se revigora mundo afora. Contudo, toca também outro tema mais profundo: a opressão contra a mulher. Hoje, ela se manifesta por recursos tão sofisticados que chegam a convencer as próprias mulheres de que esse é o caminho certo da libertação feminina.

Na sociedade capitalista, onde o lucro impera acima de todos os valores, o padrão machista de cultura associa erotismo e mercadoria. A isca é a imagem estereotipada da mulher. Sua autoestima é deslocada para o sentir-se desejada; seu corpo é violentamente modelado segundo padrões consumistas de beleza; seus atributos físicos se tornam onipresentes.

Onde há oferta de produtos – TV, internet, outdoor, revista, jornal, folheto, cartaz afixado em veículos, e o merchandising embutido em telenovelas – o que se vê é uma profusão de seios, nádegas, lábios, coxas etc. É o açougue virtual. Hipácia é castrada em sua inteligência, em seus talentos e valores subjetivos, e agora dilacerada pelas conveniências do mercado. É sutilmente esfolada na ânsia de atingir a perfeição.

Segundo a ironia da Ciranda da bailarina, de Edu Lobo e Chico Buarque, “Procurando bem / todo mundo tem pereba / marca de bexiga ou vacina / e tem piriri, tem lombriga, tem ameba / só a bailarina que não tem”. Se tiver, será execrada pelos padrões machistas por ser gorda, velha, sem atributos físicos que a tornem desejável.

Se abre a boca, deve falar de emoções, nunca de valores; de fantasias, e não de realidade; da vida privada e não da pública (política). E aceitar ser lisonjeiramente reduzida à irracionalidade analógica: “gata”, “vaca”, “avião”, “melancia” etc.

Para evitar ser execrada, agora Hipácia deve controlar o peso à custa de enormes sacrifícios (quem dera destinasse aos famintos o que deixa de ingerir...), mudar o vestuário o mais frequentemente possível, submeter-se à cirurgia plástica por mera questão de vaidade (e pensar que este ramo da medicina foi criado para corrigir anomalias físicas e não para dedicar-se a caprichos estéticos).

Toda mulher sabe: melhor que ser atraente, é ser amada. Mas o amor é um valor anticapitalista. Supõe solidariedade e não competitividade; partilha e não acúmulo; doação e não possessão. E o machismo impregnado nessa cultura voltada ao consumismo teme a alteridade feminina. Melhor fomentar a mulher-objeto (de consumo).

Na guerra dos sexos, historicamente é o homem quem dita o lugar da mulher. Ele tem a posse dos bens (patrimônio); a ela cabe o cuidado da casa (matrimônio). E, é claro, ela é incluída entre os bens... Vide o tradicional costume de, no casamento, incluir o sobrenome do marido ao nome da mulher.

No Brasil colonial, dizia-se que à mulher do senhor de escravos era permitido sair de casa apenas três vezes: para ser batizada, casada e enterrada... Ainda hoje, a Hipácia interessada em matemática e filosofia é, no mínimo, uma ameaça aos homens que não querem compartir, e sim dominar. Eles são repletos de vontades e parcos de inteligência, ainda que cultos.

Se o atrativo é o que se vê, por que o espanto ao saber que a média atual de durabilidade conjugal no Brasil é de sete anos? Como exigir que homens se interessem por mulheres que carecem de atributos físicos ou quando estes são vencidos pela idade?

Pena que ainda não inventaram botox para a alma. E nem cirurgia plástica para a subjetividade.

* Artigo publicado dia 10/03/10 no Diário da Manhã

segunda-feira, 8 de março de 2010

Feliz Dia Interncional da Mulher, amigas!

As amigas estão sempre lá. Mesmo quando parecem ter uma enorme distância física, sabemos que estão tão próxima, que podemos até sentir seu cheiro ou ouvir sua gargalhada. Amigas são assim, às vezes ouvem muito, às vezes falam mais. Com algumas o contato é direto, já com outras, os encontros são raros. Mas nem por isso menos amigas.


Existem amigas para fazer compras, ir ao cinema, comer brigadeiro em casa, aquelas que são ótimas conselheiras e outras desligadas, que nem percebem quando estamos tristes, mas sempre tem um ótimo humor para nos fazer rir.

Existem amigas doces, bravas, palhaças, apaixonadas, intensas, centradas, mães, namoradas, esposas, profissionais, psicólogas, cozinheiras, choronas, dona de casa, animadas, tímidas, doidas, baladeira, irmãs, mas acima de tudo: DIVAS.

E quando todas elas se juntam, o resultado é um caldeirão de boas histórias, lágrimas e abraços. Amigas de longa data e outras existências. Cada uma de vocês contribuiu para meu crescimento pessoal e me faz uma pessoa melhor. Juntas, conquistamos o mundo e vencemos batalhas.

Obrigada por me provarem a cada encontro, que existem problema maiores que os meus e conquistas melhores. Obrigada pelos elogios, críticas, ombros e risadas. Isso tudo me faz crescer. Desejo que o arquiteto do universo nos mantenham juntas por muitas existências, para assim, mesmo com destinos diferentes, auxiliemos sempre umas às outras.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Céu da boca*

Céu = tudo aquilo que há de bom, devaneio e lírico neste mundo.
A estrela cadente da esperança, a lua dos apaixonados, o sol de férias, a chuva após a longa seca, a revoada de pássaros, uma dimensão além de anjos, santos e soluções.
O meu céu, mais próximo de um céu da boca, convoca um mundo de prazeres sensoriais e emocionais que passam por ali.
Um tempero de mãe, um sabor de pai, a risada da menina, o beijo do príncipe, brigadeiro de colher, o café com amigos, a gargalhada da prima, o salgado do suor, o canto da Diva, uma voz de irmã ao telefone, o gás do frisante, o apelido carinhoso e familiar.
Açafrão, gengibre, canela, cravo, sal, pimenta e alho do cotidiano.
Bocas que compõem o meu céu, e aquecem o meu coração.

* O último espetáculo da Quasar Cia de Dança tem o mesmo nome, e me fez pensar no assunto. By the way, vale a pena conferir.

Francielle Felipe

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O corpo perfeito é aquilo que você não é

   As edições do Big Brother Brasil e o carnaval sempre coincidem. E com eles, uma enxurrada de corpos esculturais nas telas de TV, nas revistas em geral.
   São bundas, coxas, seios, cabelos, barrigas das mais perfeitas possíveis. Fruto de dias de sacrifícios de todos os tipos.
   A mesma pauta percorre do Bom Dia Brasil até o Jornal da Globo: os corpos sarados de verão, a atriz que emagreceu 7 quilos em um mês sem passar fome (hã?!), a dieta de carnaval da madrinha de bateria famosa...
   E nós, aqui, seres humanos normais que trabalham 12 horas por dia, passam mais 2 horas no trânsito, tenta fazer uma reles caminhada duas vezes por semana, concilia os horários para pegar a promoção do supermercado e, quem sabe, um cineminha no final de semana; ficamos abismados observando tudo isso e às vezes pensa: “Tem jeito não. Vou ser feia mesmo por que não tenho tempo para construir um corpão desses.” ou, fruto do desespero por se enquadrar no padrão estético “dominante”, cai na conversa da vendedora de Herbalife, do pacote mágico de estética ou do shake milagroso.
   Tudo isso, como se aquela ali fosse a beleza real, aquela como diria Zeca Baleiro: A beleza que põe mesa, e que deita na cama. A beleza de quem come, a beleza de quem ama. A beleza do erro, puro do engano, da imperfeição...
   A incoerência toda é que elas é que são consideradas as heroínas, pelos seus feitos colossais na sociedade da corpolatria.
   Elas, as perfeitas, são felizes? Por que vê-las assim, em tanta abundância nem sempre me deixa na melhor auto-estima.
   Entretanto, acho que eu é que merecia uma capa de revista por com todas as minhas imperfeições físicas, espirituais e emocionais, conseguir ser feliz. Pela minha coerência crítica perante estes fatos, pelos meus feitos brilhantes na batalha do dia-a-dia, por conseguir ler três livros por semana e ainda ser uma excelente esposa (na mais moderna acepção do termo).
   Sendo eu a heroína, como se referirá o Pedro Bial a mais nova Big Bunda?
   Se o corpo perfeito sempre será aquele que não é meu, então melhor interromper a neurose por aqui e cultivar outras expectativas mais saudáveis perante a vida.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Espanha

"Me seduce tu ternura/ Y tu forma de ser/ Por ser como tú eres/ Y qué bonito conocer cuando se trata/ De un hombre a una mujer" (Jose El Frances)


 
“E vi o par da dança flamenca. Não sei de outra em que a rivalidade entre homem e mulher se pusesse tão a nu. Tão declarada é a guerra que não importam os ardis: por momentos a mulher se torna quase masculina, e o homem a olha admirado. Se o mouro em terra espanhola é o mouro, a moura perdeu diante da aspereza basca a moleza fácil; a moura espanhola é um galo até que o amor a transforme em Maja.

A conquista difícil nessa dança. Enquanto o dançarino fala com os pés teimosos, a dançarina percorrerá a aura do próprio corpo com as mãos em ventarola: assim ela se imanta, assim ela se prepara para tornar-se tocável e intocável. Mas, quando menos se espera, sua botina de mulher avançara e marcará de súbito três pancadas. O dançarino se arrepia diante dessa crua palavra, recua, imobiliza-se. Há um silêncio de dança. Aos poucos o homem ergue de novo os braços e, precavido – com temor e não pudor -, tenta com as mãos espalmadas sombrear a cabeça orgulhosa da companheira. Rodeia-a várias vezes e por momentos já se expões quase de costas para ela, arriscando-se quem sabe a que punhalada. E se não foi apunhalado é que a dançarina de súbito recolheu-lhe a coragem: este então é o seu homem. Ela bate os pés, de cabeça erguida, em primeiro grito de amor: finalmente encontrou seu companheiro e inimigo. Os dois recuam eriçados. Reconheceram-se. Eles se amam.

A dança propriamente dita se inicia. O homem é moreno, miúdo; obstinado. Ela é severa e perigosa. Seus cabelos foram esticados, essa vaidade da dureza. É tão essencial essa dança que mal se compreende que a vida continue depois dela: este homem e esta mulher morrerão. Outras danças são a nostalgia dessa coragem. Esta dança é a coragem. Outras danças são alegres. A alegria desta é séria. Ou a alegria é dispensada. É o triunfo mortal de viver o que importa. Os dois não riem, não se perdoam. Compreendem-se? Nunca pensaram em se compreender, cada um trouxe a si mesmo como único estandarte. E quem foi vencido – nessa dança os dois são vencidos – não se adoçará na submissão, terá aqueles olhos espanhóis, secos de amor e raiva. O esmagado – os dois serão esmagados – servirá vinho ao outro como um escravo. Embora nesse vinho, quando vier a paixão do ciúme, possa estar o veneno da morte. O que sobreviver se sentirá vingado. Mas para sempre sozinho. Porque só esta mulher era sua inimiga, só este homem era seu inimigo, e eles se tinham escolhido para a dança."
(Texto: Espanha, de Clarice Lispector)

Ps: é por que eu voltei ao tablado que me sinto assim...passional  : )
Postado por Francielle Felipe

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Elas Cantam Pela Paz

Convido a tod@s para prestigiarem o show "Elas Cantam Pela Paz", um espetáculo musical que promete o melhor da MPB, da música espírita e canto lírico nas vozes de: Andressa Toledo, Carla Resende, Lohane Noleto, Vanessa Bertolini e convidados.
O evento acontece na próxima sexta-feira, 05/02 no auditório da Fed. Espírita do Estado de Goiás às 20h. Ingressos a R$ 10,00 com toda a renda revertida para a realização do 26o Congresso Espírita de Goiás.
As Divas marcarão presença!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A busca do beijo

"Um homem perde o senso de orientação após quatro drinques; uma mulher após quatro beijos." (Henry Louis Mencken)


Fazia exatamente 7 meses, 14 dias e 2 horas que ela não tinha contato físico com um homem. E não é que ela não quisesse. Simplesmente não tinha rolado. E ela definitivamente não era feia. Bem sucedida, 29 anos, magra, cabelos lisos e olhos expressivos. Sem falar que também era inteligente, culta e bem humorada. Ela não estava em busca de sexo. Até mesmo porque, não era do seu feitio ir para a cama com um homem no primeiro encontro. No terceiro, talvez, mas a sua busca não era por sexo casual. Ela queria beijar. Extravasar a energia sexual acumulada em troca de saliva e alguns amassos indefesos.

Resolveu então sair, já que fica em casa não iria resolver muito o seu problema. Rodou a cidade e não encontrou nenhum lugar legal em plena terça-feira. Foi parar em um bar gay. Música legal, pessoas divertidas e a melhor caipirinha da cidade, havia recomendado um amigo. Alguns goles a mais e pronto! Estava alegre o bastante para procurar alguém para a troca de salivas. Estava confusa e chegou a questionar se era lésbica. Só podia saber se tentasse. Deu uma olhada em volta: loiras, morenas, ruivas, altas, magras,gordas, peitudas, sem peitos... Não se sentiu atraída por nem uma delas. Tentou imaginar-se beijando uma mulher e lhe causou estranheza e até uma repugnância. Claro, era não era gay. descartou então a possibilidade de um beijo homossexual.

Depois de umas caipirinhas a mais, resolveu se soltar na pista e quando se deu conta estava beijando. Lindo, sarado, bem vestido e cheiroso. De repente, ao som de I'll Survive, se lembrou que estava em um local pouco ou não frequentado  por heterossexuais. Bateu um desespero. A que ponto chegou: ela beijou um gay. Que aliás, ela agarrou. Ela nunca havia tomado a iniciativa numa relação. O lindo retribuiu o beijo, quase que por caridade.

Sentiu-se envergonhada e sentiu o efeito do álcool passar. Estava lúcida, como nunca havia estado em toda sua vida. Então, tudo começou a fazer sentido. Na verdade, ela nunca havia se permitido. Ela era linda, inteligente e interessante. Mas não se fazia perceber. Não acreditava que era capaz e quando não acreditamos em nós mesmos, não podemos exigir que ninguém acredite. Ela finalmente experimentou de uma liberdade que jamais havia sentido e agora sim, estava pronta e aberta para o amor, para a vida.

*Texto baseado em fatos reais de uma Diva em busca de si mesma

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Um encontro mágico

Tem histórias que fazem a gente se inspirar...
Para Ângela.

A certa altura da vida, conclui que necessitava de novas emoções. De sentimentos arrebatadores que me tirassem do eixo, sentisse frio da barriga, que me trouxessem o bom humor e o frescor da imersão no desconhecido. Eu queria mesmo era um desses encontros mágicos.

Não sabia bem por onde começar, o que procurar. Talvez alguém, uma beleza surpreendente, um papo interessante. Ou um hobby, quem sabe.

Como tudo que é mágico, não está assim tão à vista. Parecia requerer iniciação, estudo de teorias e práticas que proporcionassem as faculdades de ver e sentir aquilo que nem todos podem.

Ao que tudo indicava, a magia estava na habilidade de trazer de dentro de mim capacidades nunca antes exploradas, ou da natureza. Para tanto, talvez fosse necessário observar a vida sob um aspecto mais elevado, cerimonioso.

Joguei-me nas leituras, cultivei uma curiosidade por tudo aquilo que era novo e aguçava minha mente desperta. Comecei também a caminhar, não a esmo. Atenta, observando a tudo e a todos. O olhar ficou mais aguçado, via beleza onde antes não conseguia enxergar. Meus olhos ficaram mágicos!

A beleza que passei a ver, me invadiu. O meu corpo bem cuidado, agora tinha uma pele cintilante, sorriso cativante e alegria exalando pelos poros.

Comecei a manipular o tempo. Eternizava os mais ínfimos instantes onde, gratamente, os armazenava em delicadas gavetas do meu coração.

Com os meus exercícios de magia, a audição ganhou proporções enormes. Agigantaram-se as possibilidades de compreensão daqueles que estavam ao meu redor. Ouvindo-os, lia suas almas. Até as mais pueris colocações me traziam algo.

Eu que já era toda mágica, vi que era magnética a minha fertilidade e capacidade de multiplicar. Sentia-me forte, poderosa. De tão encantada, esqueci-me do encontro.

Sei lá, já não parecia mais tão importante descobrir uma única coisa que fosse capaz de resgatar em mim algo que revirasse as minhas entranhas. Eram tantas as descobertas desde que aprendi magia! Não que eu me julgasse cheia de virtudes, apenas não estava mais paralisada de ansiedade frente à expectativa por um encontro.

Displicentemente caminhando por aí, esbarrei num desconhecido cavalheiro. Suas roupas não eram nada semelhantes às dos que caminhavam por aqui. Falava uma língua estranha. Acho que era de outro país.

Curiosa, decidi investigar. E não é que ele era mágico também? Braços de amansar desejos, boca de beijo, corpo de tocar, olhos de gato, sabor de hortelã, cheiro de príncipe.

Cochichei ao seu ouvido: “Mágico, ao seu lado parece até que o mundo pára”. E ele me respondeu: “Que nada, você que é mágica. Num surpreendente encontro, se tornou pra mim o mais belo dos presentes.”

“E hoje nos lembramos, sem nenhuma tristeza dos foras que a vida nos deu. Ela com certeza estava juntando você e eu.” (Minha Herança: Uma Flor - Vanessa da Mata)

Francielle Felipe

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Esse é meu ano sabático!

"O trabalho agradável é o remédio da canseira"
( William Shakespeare )



Um, a cada seis anos, a terra fica sem cultivo para então iniciar um novo ciclo de fertilidade. Mesmo sem saber que os judeus chamam este cíclo de "sabático", os agricultores já tem essa prática. Sabático vem do hebraico shabbath (sábado), e significa repouso. É o dia de recolhimento semanal dos judeus.E hoje, esta prática já está comum nos Estados Unidos e na Europa. Depois de um longo período de trabalho, a pessoa se dá o direito de parar tudo o que está fazendo para ter um momento íntimo. Um ano dedicado a sí mesmo. Tem gente que viaja, vai fazer um intercâmbio, mochilão ou um curso no país de origem, aprender uma nova profissão, especializar-se ou simplesmente descansar.

Estou no meu ano sabático. E estou publicando aqui, para ninguém mais vir me perguntar porque estou me dando o direito de ter "apenas" um emprego (tem gente que não tem nenhum e ainda quer que eu tenha vários). Hoje estou passando minhas tardes fazendo artesanato e assistindo séries. Comecei a trabalhar com 18 anos e nunca tive um só mês de férias. Sempre estive me revesando em vários empregos. Não estou reclamando. Posso dizer que foi muito gratificante para meu crescimento pessoal e profissional. Trabalhei pra burro, para conquistar carro, apartamento, festa de casamento e espaço no mercado. Foi ótimo e se não tivesse me esforçando tanto, hoje não estaria feliz profissionalmente, afinal, existe uma escada a escalar e posso dizer que já alcei alguns degraus.

Agora preciso de um ano, um só aninho para descansar. Pensar. Quero me curtir e fazer planos, para então, voltar com toda força para colocar novos projetos em andamento. Todo mundo precisa desta pausa, para não surtar. A ausência do ano sabático na vida de uma pessoa pode ter como resultado doenças mentais e físicas e eu decidi não adoecer. Decidi por ter uma vida saudável e feliz. Nem que para isso tenha que deixar meu marido trabalhar um pouco mais que eu (ele também terá o ano sabático dele, só não pode ser junto ao meu) e adie por mais um pouco a compra do carro zero.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Prazer é Todo Meu


   Ontem assisti ao filme “O prazer é todo meu”, gostei e recomendo a vocês por dentre outras coisas, ter me trazido boas risadas e algumas reflexões.
   Dirigido por Isabelle Broué, a comédia leve e inteligente (2004) conta a história de Louise (Marie Gillain), uma radialista independente e sexy. Ela namora François (Julien Boisselier), adora sexo e preza muito sua independência neste relacionamento. Recrimina a irmã, Félicie (Garance Clavel), esposa e mãe dedicada que finge ter orgasmos com o marido. Mas quando está prestes a apresentar o namorado aos pais, acontece uma tragédia: ela subitamente deixa de ter prazer no sexo! Não sente mais nada... É o começo de uma busca desesperada e nada irá detê-la na procura pelo prazer perdido.
   Na sua busca, Louise descobre que as pessoas não se sentem à vontade em conversar sobre o assunto, a recriminam com olhares e comentários velados pela sua angústia “fútil” por prazer. Impetuosa, ela aborda o assunto nas situações mais inusitadas e ouve diversas vezes (quase que como um pedido para que encerre o assunto): “Finja ter orgasmos. É uma declaração de amor a seu parceiro”.
   Indignada ela persiste em sua procura passando por sex shops, ginecologista, sexólogo, xamã africano, chás milagrosos e um bar lésbico.

A Iluminação da sexualidade

   O desconforto das pessoas no filme e o medo de tocarem no assunto, me fez lembrar o filósofo Michel Focault. Ele observa que através do tempo, houve um movimento de busca pela “iluminação” da sexualidade. Sendo a carne o móvel do sexo, deveria haver uma maneira a mais santificada possível de suprimir a carne e sublimar desejos. Isso nos colocou num estado de “miséria sexual”.
   Em seus textos sobre a História da Sexualidade, aponta o cristianismo como o aparato social que melhor desenvolveu técnicas para essa tal iluminação da sexualidade, como ferramenta para se alcançar a salvação.
   “A confissão, o exame de consciência, toda uma insistência sobre os segredos e a importância da carne não foram somente um meio de proibir o sexo ou de afastá-lo o mais possível da consciência; foi uma forma de colocar a sexualidade no centro da existência e de ligar a salvação ao domínio de seus movimentos obscuros. O sexo foi aquilo que nas sociedades cristãs, era preciso examinar, vigiar, confessar”(1) .
   Acho muito intrigante e chamo atenção para a miséria sexual. De certa forma, o filme em questão questiona estes valores e condições em nossa sociedade que colocam a mulher em tal situação. Félicie e a mãe de Louise são um claro exemplo disso – elas demoram a descobrir que ter prazer através do sexo lhes é lícito e torna a vida muito mais leve. Tudo isso em função da pressão que a protagonista faz para que a ajudem a resgatar o seu próprio prazer. Louise em contrapartida sofre muito com a incompreensão generalizada.

Miséria Sexual

   No ocidente, em nossas famílias, não se ensina a fazer amor, obter prazer, dar prazer aos outros, maximizar o seu prazer pelo prazer dos outros. Na nossa miséria, temos apenas de um lado a religião dizendo o que não fazer a respeito de sexo e prazer, de outro, a ciência da sexualidade e seus conceitos sobre corpos humanos. Muitos dados e julgamentos a respeito de sexo, sexualidade e relacionamentos. Repasse de vivências genuínas (desprovidas de preconceitos), informação e troca de experiências sem pudor, nem pensar!
   E aí voltamos ao Focault e a mentalidade cristã. O moço coloca que no cristianismo o mérito absoluto é precisamente ser obediente. Manter-se obediente é a condição fundamental de todas as virtudes. Assim, o controle da sexualidade passa a ser instrumento de poder, e caminho para a salvação. Passamos a ter um monte de pré-requisitos para a nossa felicidade que perpassam pelo casamento, a monogamia, o sexo para reprodução, a limitação e desqualificação do prazer (2).
   E quem é que não quer ser salvo? Obter a felicidade eterna? Todos nós! Sem hesitação. Assim, as ovelhinhas, obedecem há séculos seus pastores que dizem o que fazer e como fazer para independente da felicidade presente, alcançar a felicidade futura com muito sofrimento, repressão e limitações.
   E olha que nunca se fez tanto sexo e em tantas modalidades quanto hoje. Mas a questão aqui é qualitativa e não quantitativa. Mesmo com tanta liberdade, vários tabus ainda coexistem (caladinhos) e andam lado a lado com a revolução sexual iniciada pelas mulheres ao final da década de 1960.
   Em 40 e poucos anos de revolução feminina, muito já conquistamos e aprendemos, mas estamos apenas no começo. São séculos de opressão e muita besteira dita a respeito de sexo, prazer e felicidade neste mundo.

Francielle Felipe
_________________________________
1 FOCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1985.
2________________. Ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Homenagem a uma grande Diva

Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine." (I Coríntios)


O mundo está perplexo com a devastação do Haiti, causado por um terremoto, ontem. Dentre as vítimas, está Zilda Arns, a médica pediatra brasileira que trocou o consultório, pelas crianças pobres das favelas. Formada em medicina, Zilda aprofundou-se em saúde pública, visando salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário.

Compreendendo que a educação revelou-se a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade das crianças, para otimizar a sua ação, desenvolveu uma metodologia própria de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João.

Em 1983, a pedido da CNBB, criou a Pastoral da Criança juntamente com dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo primaz de Salvador da Bahia e presidente da CNBB. Em 2004, recebeu da CNBB outra missão semelhante: fundar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa.

Zilda Arns morreu atingida por uma pedra de concreto dentro de uma Igreja no Haiti, quando se preparava para uma palestra sobre a Pastoral da Criança na Conferência dos Religiosos do Caribe. Ela estava junto aos nossos irmãos menos favorecidos pelo dinheiro, porquem ela passou a vida lutando. A equipe do Reflexões de Uma Diva deixa aqui sua homenagem à milhares de vítimas do terremoto. Aos que sobreviveram, força para a reconstrução. Aos que já passaram para o outro lado da vida, paz para a nova caminhada. E à Zilda Arns, o nosso muito obrigada por representar tão bem a classe feminina.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Necessidade de silêncio


O despertador toca. O porteiro chama. O microondas apita. O elevador avisa que chegou. O celular toca. Alerta de mensagens. Buzinas. Motores. Interfone. O telefone chama outra vez. Um carro de som. O som do carro. Oi? Tudo bem? Você viu o Fantástico domingo? Messenger. O que estou ouvindo. Lembrete. Assobio. Clap clap clap. Fiu fiu. Splash. Blá blá blá. Unnnggh. Fonfon. Crac. Au au. Zooom. Ummmm. Pow!

Pausa para respirar.

O silêncio me faz falta. É só no silêncio que determinadas coisas podem ser ouvidas. Silêncio para não ferir. Para solidarizar, para sentir. Sossego para poder pensar direito.

Silêncio é calma para decidir, pausa para refletir, oportunidade de sentir.

Quantas coisas não são ditas no silêncio de um olhar? Piegas, mas é verdade.

Pode ser a melhor resposta para o absurdo ouvido ou uma insuportável contestação. Pode ser também sinal de sabedoria conseguir aplicá-lo bem e conscientemente.

Silêncio de verdade, na alma, dá medo. Abre espaço para tomada de consciência, para o autoconhecimento.

Dizem que Deus fala no silêncio, que sua voz só pode ser ouvida desta forma. S-I-L-E-N-C-I-A-N-D-O mente e coração para que ele possa agir visando a nossa felicidade.

Tanto barulho me faz mais sentido agora. Barulho e bastantes conversas inúteis para abafar a verdade íntima e o Deus interno de cada um. Barulho para no automático, se deixar levar.

É urgente o aprendizado de silenciar para que todo esse potencial de verdade interior possa produzir mais frutos.

Preciso de silêncio.


Francielle Felipe

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Você tem medo de que?

"Não é que eu tenha medo da morte. Eu apenas não quero estar lá quando isso acontecer" ( Woody Allen )




A Marília Gabriela entrevistou em seu programa na GNT hoje, o psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, sobre síndrome do pânico e medos. Ele dizia que todos os medos tem uma origem que em nada, tem a ver com o "objeto amedrontador". Por exemplo, o medo de baratas e outros insetos, tem na verdade a origem no velho argumento freudiano do "fálico". Estranho, não? Você deve estar pensando neste momento que este médico é mesmo de araque. Bom, ele me pareceu bem profissional, mas devo confessar que também não encontrei uma lógica, no que a própria Marília chamou de "associação livre". Bom, de acordo com ele, pessoas que quando uma barata é esmagada, tem aquele terrível nojo da gosminha verde que sai do inseto, na verdade, tem nojo do gozo masculino. Uma loucura na minha opinião. Mas o que me interessou nesta entrevista mesmo foi que ele afirmou que temos cada dia mais medos.

A sociedade moderna e suas pressões nos faz pessoas neuróticas. Medo de enchentes (com o que aconteceu em Angra, todo mundo vai pensar duas vezes antes de se hospedar numa pousada ao pé de serras), de violência, doença, insetos, morte e uma lista interminável de coisas que não podemos evitar e prever. Mas o motivo verdadeiro que me levou e escrever, é que eu também passei por um medo que eu teria que ter vergonha de contar, mas já que estamos aqui (e meu objetivo é escrever me colocando nua e crua, no bom sentido, é claro), não vou esconder. Medo de avião. Andei pela primeira vez  no último dia 28 de dezembro. Apesar de nunca ter entrado em um avião, já havia voado de helicóptero e tinha achado legal. Mas quando a gente decolou e eu percebi que o tempo todo a aeronave dá uma sacudidinha, eu achei que a viagem Goiânia-Porto Seguro é muito longa para minha gastrite aguentar.

Na verdade, não tive pânico, mas não relaxei. Ida e volta fiquei em alerta, pensando que não tinha jeito de uma aeronave tão pesada ficar no ar muito tempo. E uma queda de 11 mil metros de altura e a 800 km/h, não seria nada agradável. Na verdade, como exagerada que sou, já me imaginava manchete do Jornal Daqui (veículo que eu trabalho). "Jornalista morre em queda de avião na lua-de-mel". Uma notícia triste, que merecia destaque nacional. Afinal, sou jovem e com um lindo futuro pela frente. Loucura, não? Pois é. Porém, não se preocupem por que nem por isso vou deixar de viajar de avião, afinal, apesar do medo, tenho que confessar que o conforto é impagável.

Mas de acordo com este médico, perfeitamente normal. Não existe ninguém, segundo Eduardo Ferreira, que não tenha um medinho. Ele mesmo confessou ter pânico de ter febre. Bom, cada louco com seu problema. Eu, se for confessar todos os meus medos, vão internar. Então, é bom eu parar por aqui e ficar só no medo de avião mesmo. O restante, tenho certeza de que os comentaristas do blog vão contar.

Ciclos em nossas vidas (Autor desconhecido - Encaminhado por ACarol)

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final..
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração..
.... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era e se transforme em quem é.
Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu própria, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te :
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”
(Fernando Pessoa)
 
UM FELIZ 2010 À TODOS!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Comer, rezar, amar


Sou só ansiedade pelo filme baseado no romance de Elizabeth Gilbert - Comer, rezar e amar.
Quem leu o livro entende a expectativa pelo filme a ser estrelado por Julia Roberts, Javier Barden e previsto para ser lançado em fevereiro/10.
Minhas férias de 2007 foram embaladas por este romance (344 páginas em 3 dias!) que relata a busca de uma mulher por tudo na vida após uma crise existencial e emocional. Pode parecer um roteiro de novela, já foi criticado por ser um best seller no mundo todo, mas a verdade é que trata-se de uma história que fala ao coração de todas as mulheres modernas que buscam amor próprio, felicidade e espiritualidade.
As Divas que leram amaram. Segue link com a versão eletrônica da obra http://www.pdf-search-engine.com/comer-rezar-e-amar-pdf.html.

Francielle Felipe

Quem já dançou de bata de cola, fatalmente viu esse filme (kkk)



sábado, 2 de janeiro de 2010

Delirius tremis

Na busca por paz na Campo da Paz me deparei com uma ansiedade que me deixou com vergonha de mim mesma: medo de engordar. Como se por acaso, eu tivesse conseguido emagrecer alguma coisa.
De repente, fui invadida por um medo estranho de embarcar naquela onda de prazeres gastronômicos que é ficar ao meu bel prazer de cozinhar, transitando pelas cozinhas da Dona Vera e Dona Rosinha, parando no meio do caminho por um Manjar da Dona Gercina, virando na esquina do Pastelinho de Goiás e derrapando na empada da Patricinha.
Subitamente, sou pega em pânico na eminência de uma maldita e deliciosa torta de banana frita que arruína toda a minha disciplina do dia. O diálogo animado que embala a delícia anuncia a pamonhada que, como um evento, brindará o domingo. Ufa! Eu penso. Graças à Deus vou embora sábado à tarde.
Como quem ouve os meus pensamentos, e conspira contra mim, Dona Rosinha conclui: Vamos fazer as pamonhas sábado. Todo mundo vai embora domigo.
O pânico me assalta outra vez: conseguirei resistir?
Para melhorar, o joelho volta a doer, na tentativa de correr um pouco para equilibrar a balança da comilança. Tudo está contra mim!
Dá-lhe Surya Namascar A, B, algumas asanas e exercícios de respiração para um pouco de centramento. Estou perdendo o controle, migrando para o lado negro da força. Não era para ser divertido?
Começo a pensar que o melhor lugar do mundo para passar férias é Goiania. Lá tem academias e a minha casa fica bem longe dessas cozinhas malditas.
Que horror!
E seguem pães de queijo, coca-cola, peixe frito, paçoquinha, pavê de olho de sogra, picanha...mais empada e só!
O que a balança tem para me dizer depois de tudo isso? Conseguirei cumprir a promessa de emagrecer 5 quilos em 2010?
Aí, outra angustia me invade: preciso mesmo de tanta neura? Até que ponto vai esta insatisfação? Fruto do que e para que? Feliz, notadamente bonita e admirada por marido, platéia, fãs, amigos e alunos, out of standart – of course. Mas, então? Merecia ter perdido alguns minutos desta preciosa semana tendo alucinações onde sentia a comida que descia pela minha garganta escorrendo direto para o depósito acima dos meus quadris?
De quem é a culpa?
Encerro sem saber, mas desta forma não há como ter paz, nem permanecer.

Francielle Felipe