Ví num blog de uma amiga um link de um teste sobre feminilidade e comportamento. O teste, "Que Deusa você é?" é bem legal, apesar de não ter respaldo científico. Ele aponta pontos da nossa personalidade que só percebemos quando somos postos em supostas situações. O meu teste deu que sou a "Deusa Atena – Deusa independente". Bem, com algumas coisas eu concordo, com outras não. Mas gostei do teste e deixo aí a sugestão para vocês fazerem também: http://www.bolsademulher.com/especiais/deusa_mulher-100045.html
Pensamentos de uma publicitária e uma jornalista sobre dilemas femininos, crônicas, experiências e o que mais vier à cabeça
quinta-feira, 18 de março de 2010
Que Deusa é você?
Ví num blog de uma amiga um link de um teste sobre feminilidade e comportamento. O teste, "Que Deusa você é?" é bem legal, apesar de não ter respaldo científico. Ele aponta pontos da nossa personalidade que só percebemos quando somos postos em supostas situações. O meu teste deu que sou a "Deusa Atena – Deusa independente". Bem, com algumas coisas eu concordo, com outras não. Mas gostei do teste e deixo aí a sugestão para vocês fazerem também: http://www.bolsademulher.com/especiais/deusa_mulher-100045.html
quarta-feira, 10 de março de 2010
A difícil arte de ser mulher
Frei Betto
Hours concours em Cannes, um dos filmes de maior sucesso no badalado festival francês foi “Ágora”, direção de Alejandro Amenabar. A estrela é a inglesa Rachel Weiz, premiada com o Oscar 2006 de melhor atriz coadjuvante em “O jardineiro fiel”, dirigido por Fernando Meirelles.
Em “Ágora” ela interpreta Hipácia, única mulher da Antiguidade a se destacar como cientista. Astrônoma, física, matemática e filósofa, Hipácia nasceu em 370, em Alexandria. Foi a última grande cientista de renome a trabalhar na lendária biblioteca daquela cidade egípcia. Na Academia de Atenas ocupou, aos 30 anos, a cadeira de Plotino. Escreveu tratados sobre Euclides e Ptolomeu, desenvolveu um mapa de corpos celestes e teria inventado novos modelos de astrolábio, planisfério e hidrômetro.
Neoplatônica, Hipácia defendia a liberdade de religião e de pensamento. Acreditava que o Universo era regido por leis matemáticas. Tais ideias suscitaram a ira de fundamentalistas cristãos que, em plena decadência do Império Romano, lutavam por conquistar a hegemonia cultural.
Em 415, instigados por Cirilo, bispo de Alexandria, fanáticos arrastaram Hipácia a uma igreja, esfolaram-na com cacos de cerâmica e conchas e, após assassiná-la, atiraram o corpo a uma fogueira. Sua morte selou, por mil anos, a estagnação da matemática ocidental. Cirilo foi canonizado por Roma.
O filme de Amenabar é pertinente nesse momento em que o fanatismo religioso se revigora mundo afora. Contudo, toca também outro tema mais profundo: a opressão contra a mulher. Hoje, ela se manifesta por recursos tão sofisticados que chegam a convencer as próprias mulheres de que esse é o caminho certo da libertação feminina.
Na sociedade capitalista, onde o lucro impera acima de todos os valores, o padrão machista de cultura associa erotismo e mercadoria. A isca é a imagem estereotipada da mulher. Sua autoestima é deslocada para o sentir-se desejada; seu corpo é violentamente modelado segundo padrões consumistas de beleza; seus atributos físicos se tornam onipresentes.
Onde há oferta de produtos – TV, internet, outdoor, revista, jornal, folheto, cartaz afixado em veículos, e o merchandising embutido em telenovelas – o que se vê é uma profusão de seios, nádegas, lábios, coxas etc. É o açougue virtual. Hipácia é castrada em sua inteligência, em seus talentos e valores subjetivos, e agora dilacerada pelas conveniências do mercado. É sutilmente esfolada na ânsia de atingir a perfeição.
Segundo a ironia da Ciranda da bailarina, de Edu Lobo e Chico Buarque, “Procurando bem / todo mundo tem pereba / marca de bexiga ou vacina / e tem piriri, tem lombriga, tem ameba / só a bailarina que não tem”. Se tiver, será execrada pelos padrões machistas por ser gorda, velha, sem atributos físicos que a tornem desejável.
Se abre a boca, deve falar de emoções, nunca de valores; de fantasias, e não de realidade; da vida privada e não da pública (política). E aceitar ser lisonjeiramente reduzida à irracionalidade analógica: “gata”, “vaca”, “avião”, “melancia” etc.
Para evitar ser execrada, agora Hipácia deve controlar o peso à custa de enormes sacrifícios (quem dera destinasse aos famintos o que deixa de ingerir...), mudar o vestuário o mais frequentemente possível, submeter-se à cirurgia plástica por mera questão de vaidade (e pensar que este ramo da medicina foi criado para corrigir anomalias físicas e não para dedicar-se a caprichos estéticos).
Toda mulher sabe: melhor que ser atraente, é ser amada. Mas o amor é um valor anticapitalista. Supõe solidariedade e não competitividade; partilha e não acúmulo; doação e não possessão. E o machismo impregnado nessa cultura voltada ao consumismo teme a alteridade feminina. Melhor fomentar a mulher-objeto (de consumo).
Na guerra dos sexos, historicamente é o homem quem dita o lugar da mulher. Ele tem a posse dos bens (patrimônio); a ela cabe o cuidado da casa (matrimônio). E, é claro, ela é incluída entre os bens... Vide o tradicional costume de, no casamento, incluir o sobrenome do marido ao nome da mulher.
No Brasil colonial, dizia-se que à mulher do senhor de escravos era permitido sair de casa apenas três vezes: para ser batizada, casada e enterrada... Ainda hoje, a Hipácia interessada em matemática e filosofia é, no mínimo, uma ameaça aos homens que não querem compartir, e sim dominar. Eles são repletos de vontades e parcos de inteligência, ainda que cultos.
Se o atrativo é o que se vê, por que o espanto ao saber que a média atual de durabilidade conjugal no Brasil é de sete anos? Como exigir que homens se interessem por mulheres que carecem de atributos físicos ou quando estes são vencidos pela idade?
Pena que ainda não inventaram botox para a alma. E nem cirurgia plástica para a subjetividade.
* Artigo publicado dia 10/03/10 no Diário da Manhã
Hours concours em Cannes, um dos filmes de maior sucesso no badalado festival francês foi “Ágora”, direção de Alejandro Amenabar. A estrela é a inglesa Rachel Weiz, premiada com o Oscar 2006 de melhor atriz coadjuvante em “O jardineiro fiel”, dirigido por Fernando Meirelles.
Em “Ágora” ela interpreta Hipácia, única mulher da Antiguidade a se destacar como cientista. Astrônoma, física, matemática e filósofa, Hipácia nasceu em 370, em Alexandria. Foi a última grande cientista de renome a trabalhar na lendária biblioteca daquela cidade egípcia. Na Academia de Atenas ocupou, aos 30 anos, a cadeira de Plotino. Escreveu tratados sobre Euclides e Ptolomeu, desenvolveu um mapa de corpos celestes e teria inventado novos modelos de astrolábio, planisfério e hidrômetro.
Neoplatônica, Hipácia defendia a liberdade de religião e de pensamento. Acreditava que o Universo era regido por leis matemáticas. Tais ideias suscitaram a ira de fundamentalistas cristãos que, em plena decadência do Império Romano, lutavam por conquistar a hegemonia cultural.
Em 415, instigados por Cirilo, bispo de Alexandria, fanáticos arrastaram Hipácia a uma igreja, esfolaram-na com cacos de cerâmica e conchas e, após assassiná-la, atiraram o corpo a uma fogueira. Sua morte selou, por mil anos, a estagnação da matemática ocidental. Cirilo foi canonizado por Roma.
O filme de Amenabar é pertinente nesse momento em que o fanatismo religioso se revigora mundo afora. Contudo, toca também outro tema mais profundo: a opressão contra a mulher. Hoje, ela se manifesta por recursos tão sofisticados que chegam a convencer as próprias mulheres de que esse é o caminho certo da libertação feminina.
Na sociedade capitalista, onde o lucro impera acima de todos os valores, o padrão machista de cultura associa erotismo e mercadoria. A isca é a imagem estereotipada da mulher. Sua autoestima é deslocada para o sentir-se desejada; seu corpo é violentamente modelado segundo padrões consumistas de beleza; seus atributos físicos se tornam onipresentes.
Onde há oferta de produtos – TV, internet, outdoor, revista, jornal, folheto, cartaz afixado em veículos, e o merchandising embutido em telenovelas – o que se vê é uma profusão de seios, nádegas, lábios, coxas etc. É o açougue virtual. Hipácia é castrada em sua inteligência, em seus talentos e valores subjetivos, e agora dilacerada pelas conveniências do mercado. É sutilmente esfolada na ânsia de atingir a perfeição.
Segundo a ironia da Ciranda da bailarina, de Edu Lobo e Chico Buarque, “Procurando bem / todo mundo tem pereba / marca de bexiga ou vacina / e tem piriri, tem lombriga, tem ameba / só a bailarina que não tem”. Se tiver, será execrada pelos padrões machistas por ser gorda, velha, sem atributos físicos que a tornem desejável.
Se abre a boca, deve falar de emoções, nunca de valores; de fantasias, e não de realidade; da vida privada e não da pública (política). E aceitar ser lisonjeiramente reduzida à irracionalidade analógica: “gata”, “vaca”, “avião”, “melancia” etc.
Para evitar ser execrada, agora Hipácia deve controlar o peso à custa de enormes sacrifícios (quem dera destinasse aos famintos o que deixa de ingerir...), mudar o vestuário o mais frequentemente possível, submeter-se à cirurgia plástica por mera questão de vaidade (e pensar que este ramo da medicina foi criado para corrigir anomalias físicas e não para dedicar-se a caprichos estéticos).
Toda mulher sabe: melhor que ser atraente, é ser amada. Mas o amor é um valor anticapitalista. Supõe solidariedade e não competitividade; partilha e não acúmulo; doação e não possessão. E o machismo impregnado nessa cultura voltada ao consumismo teme a alteridade feminina. Melhor fomentar a mulher-objeto (de consumo).
Na guerra dos sexos, historicamente é o homem quem dita o lugar da mulher. Ele tem a posse dos bens (patrimônio); a ela cabe o cuidado da casa (matrimônio). E, é claro, ela é incluída entre os bens... Vide o tradicional costume de, no casamento, incluir o sobrenome do marido ao nome da mulher.
No Brasil colonial, dizia-se que à mulher do senhor de escravos era permitido sair de casa apenas três vezes: para ser batizada, casada e enterrada... Ainda hoje, a Hipácia interessada em matemática e filosofia é, no mínimo, uma ameaça aos homens que não querem compartir, e sim dominar. Eles são repletos de vontades e parcos de inteligência, ainda que cultos.
Se o atrativo é o que se vê, por que o espanto ao saber que a média atual de durabilidade conjugal no Brasil é de sete anos? Como exigir que homens se interessem por mulheres que carecem de atributos físicos ou quando estes são vencidos pela idade?
Pena que ainda não inventaram botox para a alma. E nem cirurgia plástica para a subjetividade.
* Artigo publicado dia 10/03/10 no Diário da Manhã
segunda-feira, 8 de março de 2010
Feliz Dia Interncional da Mulher, amigas!
As amigas estão sempre lá. Mesmo quando parecem ter uma enorme distância física, sabemos que estão tão próxima, que podemos até sentir seu cheiro ou ouvir sua gargalhada. Amigas são assim, às vezes ouvem muito, às vezes falam mais. Com algumas o contato é direto, já com outras, os encontros são raros. Mas nem por isso menos amigas.
Existem amigas para fazer compras, ir ao cinema, comer brigadeiro em casa, aquelas que são ótimas conselheiras e outras desligadas, que nem percebem quando estamos tristes, mas sempre tem um ótimo humor para nos fazer rir.
Existem amigas doces, bravas, palhaças, apaixonadas, intensas, centradas, mães, namoradas, esposas, profissionais, psicólogas, cozinheiras, choronas, dona de casa, animadas, tímidas, doidas, baladeira, irmãs, mas acima de tudo: DIVAS.
E quando todas elas se juntam, o resultado é um caldeirão de boas histórias, lágrimas e abraços. Amigas de longa data e outras existências. Cada uma de vocês contribuiu para meu crescimento pessoal e me faz uma pessoa melhor. Juntas, conquistamos o mundo e vencemos batalhas.
Obrigada por me provarem a cada encontro, que existem problema maiores que os meus e conquistas melhores. Obrigada pelos elogios, críticas, ombros e risadas. Isso tudo me faz crescer. Desejo que o arquiteto do universo nos mantenham juntas por muitas existências, para assim, mesmo com destinos diferentes, auxiliemos sempre umas às outras.
Existem amigas para fazer compras, ir ao cinema, comer brigadeiro em casa, aquelas que são ótimas conselheiras e outras desligadas, que nem percebem quando estamos tristes, mas sempre tem um ótimo humor para nos fazer rir.
Existem amigas doces, bravas, palhaças, apaixonadas, intensas, centradas, mães, namoradas, esposas, profissionais, psicólogas, cozinheiras, choronas, dona de casa, animadas, tímidas, doidas, baladeira, irmãs, mas acima de tudo: DIVAS.
E quando todas elas se juntam, o resultado é um caldeirão de boas histórias, lágrimas e abraços. Amigas de longa data e outras existências. Cada uma de vocês contribuiu para meu crescimento pessoal e me faz uma pessoa melhor. Juntas, conquistamos o mundo e vencemos batalhas.
Obrigada por me provarem a cada encontro, que existem problema maiores que os meus e conquistas melhores. Obrigada pelos elogios, críticas, ombros e risadas. Isso tudo me faz crescer. Desejo que o arquiteto do universo nos mantenham juntas por muitas existências, para assim, mesmo com destinos diferentes, auxiliemos sempre umas às outras.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Céu da boca*
Céu = tudo aquilo que há de bom, devaneio e lírico neste mundo.
A estrela cadente da esperança, a lua dos apaixonados, o sol de férias, a chuva após a longa seca, a revoada de pássaros, uma dimensão além de anjos, santos e soluções.
O meu céu, mais próximo de um céu da boca, convoca um mundo de prazeres sensoriais e emocionais que passam por ali.
Um tempero de mãe, um sabor de pai, a risada da menina, o beijo do príncipe, brigadeiro de colher, o café com amigos, a gargalhada da prima, o salgado do suor, o canto da Diva, uma voz de irmã ao telefone, o gás do frisante, o apelido carinhoso e familiar.
Açafrão, gengibre, canela, cravo, sal, pimenta e alho do cotidiano.
Bocas que compõem o meu céu, e aquecem o meu coração.
* O último espetáculo da Quasar Cia de Dança tem o mesmo nome, e me fez pensar no assunto. By the way, vale a pena conferir.
Francielle Felipe
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
O corpo perfeito é aquilo que você não é
As edições do Big Brother Brasil e o carnaval sempre coincidem. E com eles, uma enxurrada de corpos esculturais nas telas de TV, nas revistas em geral.
São bundas, coxas, seios, cabelos, barrigas das mais perfeitas possíveis. Fruto de dias de sacrifícios de todos os tipos.
A mesma pauta percorre do Bom Dia Brasil até o Jornal da Globo: os corpos sarados de verão, a atriz que emagreceu 7 quilos em um mês sem passar fome (hã?!), a dieta de carnaval da madrinha de bateria famosa...
E nós, aqui, seres humanos normais que trabalham 12 horas por dia, passam mais 2 horas no trânsito, tenta fazer uma reles caminhada duas vezes por semana, concilia os horários para pegar a promoção do supermercado e, quem sabe, um cineminha no final de semana; ficamos abismados observando tudo isso e às vezes pensa: “Tem jeito não. Vou ser feia mesmo por que não tenho tempo para construir um corpão desses.” ou, fruto do desespero por se enquadrar no padrão estético “dominante”, cai na conversa da vendedora de Herbalife, do pacote mágico de estética ou do shake milagroso.
Tudo isso, como se aquela ali fosse a beleza real, aquela como diria Zeca Baleiro: A beleza que põe mesa, e que deita na cama. A beleza de quem come, a beleza de quem ama. A beleza do erro, puro do engano, da imperfeição...
A incoerência toda é que elas é que são consideradas as heroínas, pelos seus feitos colossais na sociedade da corpolatria.
Elas, as perfeitas, são felizes? Por que vê-las assim, em tanta abundância nem sempre me deixa na melhor auto-estima.
Entretanto, acho que eu é que merecia uma capa de revista por com todas as minhas imperfeições físicas, espirituais e emocionais, conseguir ser feliz. Pela minha coerência crítica perante estes fatos, pelos meus feitos brilhantes na batalha do dia-a-dia, por conseguir ler três livros por semana e ainda ser uma excelente esposa (na mais moderna acepção do termo).
Sendo eu a heroína, como se referirá o Pedro Bial a mais nova Big Bunda?
Se o corpo perfeito sempre será aquele que não é meu, então melhor interromper a neurose por aqui e cultivar outras expectativas mais saudáveis perante a vida.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Espanha
"Me seduce tu ternura/ Y tu forma de ser/ Por ser como tú eres/ Y qué bonito conocer cuando se trata/ De un hombre a una mujer" (Jose El Frances)
“E vi o par da dança flamenca. Não sei de outra em que a rivalidade entre homem e mulher se pusesse tão a nu. Tão declarada é a guerra que não importam os ardis: por momentos a mulher se torna quase masculina, e o homem a olha admirado. Se o mouro em terra espanhola é o mouro, a moura perdeu diante da aspereza basca a moleza fácil; a moura espanhola é um galo até que o amor a transforme em Maja.
A conquista difícil nessa dança. Enquanto o dançarino fala com os pés teimosos, a dançarina percorrerá a aura do próprio corpo com as mãos em ventarola: assim ela se imanta, assim ela se prepara para tornar-se tocável e intocável. Mas, quando menos se espera, sua botina de mulher avançara e marcará de súbito três pancadas. O dançarino se arrepia diante dessa crua palavra, recua, imobiliza-se. Há um silêncio de dança. Aos poucos o homem ergue de novo os braços e, precavido – com temor e não pudor -, tenta com as mãos espalmadas sombrear a cabeça orgulhosa da companheira. Rodeia-a várias vezes e por momentos já se expões quase de costas para ela, arriscando-se quem sabe a que punhalada. E se não foi apunhalado é que a dançarina de súbito recolheu-lhe a coragem: este então é o seu homem. Ela bate os pés, de cabeça erguida, em primeiro grito de amor: finalmente encontrou seu companheiro e inimigo. Os dois recuam eriçados. Reconheceram-se. Eles se amam.
A dança propriamente dita se inicia. O homem é moreno, miúdo; obstinado. Ela é severa e perigosa. Seus cabelos foram esticados, essa vaidade da dureza. É tão essencial essa dança que mal se compreende que a vida continue depois dela: este homem e esta mulher morrerão. Outras danças são a nostalgia dessa coragem. Esta dança é a coragem. Outras danças são alegres. A alegria desta é séria. Ou a alegria é dispensada. É o triunfo mortal de viver o que importa. Os dois não riem, não se perdoam. Compreendem-se? Nunca pensaram em se compreender, cada um trouxe a si mesmo como único estandarte. E quem foi vencido – nessa dança os dois são vencidos – não se adoçará na submissão, terá aqueles olhos espanhóis, secos de amor e raiva. O esmagado – os dois serão esmagados – servirá vinho ao outro como um escravo. Embora nesse vinho, quando vier a paixão do ciúme, possa estar o veneno da morte. O que sobreviver se sentirá vingado. Mas para sempre sozinho. Porque só esta mulher era sua inimiga, só este homem era seu inimigo, e eles se tinham escolhido para a dança."
(Texto: Espanha, de Clarice Lispector)Ps: é por que eu voltei ao tablado que me sinto assim...passional : )
Postado por Francielle Felipe
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Elas Cantam Pela Paz
Convido a tod@s para prestigiarem o show "Elas Cantam Pela Paz", um espetáculo musical que promete o melhor da MPB, da música espírita e canto lírico nas vozes de: Andressa Toledo, Carla Resende, Lohane Noleto, Vanessa Bertolini e convidados.
O evento acontece na próxima sexta-feira, 05/02 no auditório da Fed. Espírita do Estado de Goiás às 20h. Ingressos a R$ 10,00 com toda a renda revertida para a realização do 26o Congresso Espírita de Goiás.
As Divas marcarão presença!
O evento acontece na próxima sexta-feira, 05/02 no auditório da Fed. Espírita do Estado de Goiás às 20h. Ingressos a R$ 10,00 com toda a renda revertida para a realização do 26o Congresso Espírita de Goiás.
As Divas marcarão presença!
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