terça-feira, 15 de junho de 2010

Coisas que um professor precisa falar

Este é um desabafo de fim de semestre, que eu estou pensando seriamente em transformar em texto e ler no primeiro dia de aula a fim de tornar o meu trabalho mais tranqüilo. Sei que alguns colegas de docência universitária irão concordar:


Caro aluno,

Preste bastante atenção nas informações que seguem abaixo:

1 - Atestado médico não abona falta, só justifica e eu não posso fazer nada a respeito.

2 - Conciliar o seu ganha pão com a faculdade é sua responsabilidade. Portanto, declarações de trabalho não significam nada pra mim.

3 - Se você está formando é porque consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo, desta forma, também não é minha responsabilidade te fornecer tempo dispensando-o das minhas aulas.

4 - Por mais que você se recuse a acreditar, cópia da internet é plágio. E isso é crime! Aceite e viverás melhor.

5 - O mercado agradece qualquer tipo de incompetência sua. São menos concorrentes, e eu professor, membro deste mercado, tenho prazer em te reprovar por incapacidade.

6 - Desde a 4ª série que você faz provas à caneta. Essa pergunta já deu o que tinha que dar! Aliás, você já não tinha perguntado isso na N1?

7 - Você pode não acreditar, mas eu vou realmente ler seus trabalhos.

8 - Eu não dou meu endereço para entrega de trabalhos e se você aparecer por lá eu chamo a polícia. Isso é invasão de privacidade.

9 - Não acreditarás nas instruções dos seus colegas, elas certamente estarão erradas. Cola em mim que é sucesso!

10 - Não achou o texto na xerox? Conhece aquele lugar chamado biblioteca? Pois é...lá tem tudo original e é de graça, acredita?!
Ufa, tô muito mais aliviada!

Por Francielle Felipe

quinta-feira, 3 de junho de 2010

As palavras

Incrível como de repente, algumas palavras e dizeres caem no automatismo e deixam de fazer significado real, perdem sua taxa de informação: bom dia, boa tarde, vá com Deus, tenha uma boa viagem, como vai...
Raramente as proferimos almejando ou impregnando-as do seu sentido real. Me dei conta disso hoje pela manhã na fila do supermercado quando um sujeito, que nunca vi, olha para mim sorridente e diz "Bom dia, como você está?", eu meio sem jeito, no fundo implorando que ele não me importunasse mais e imaginando que tratava-se apenas de boa educação, respondo: "Tudo bem".
Ele olha para mim e comenta: "Que bom! Só da gente estar vivo, ter saúde e bons amigos não precisa de mais nada! Se Deus me conservar do jeito que estou até o fim da vida serei eternamente grato. Olha que eu não tenho nada de meu."
Sorri. Não disse nada, mas aquilo me tocou tão profundamente! (coisa de canceriana)
Parei para pensar o quanto significativo e abençoado é poder dizer que está tudo bem em sua vida. Em um segundo de prece, agradeci ao alto a existência, a saúde, os bons amigos e minha família.
Isso me fez bem, muito bem.
Realmente ouvir o que nos dizem e falar com a intenção própria de cada palavra para sentir melhor quem está ao nosso redor, faz a diferença em nossas relações interpessoais. Pelo menos fez pra mim.

Francielle Felipe

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Indicação de filme

Assisti a um filme este mês que foi estreado no ano passado: Divã. Uma comédia brasileira que vem seguindo a tendência nacional de fugir da proposta do Cinema Novo, movimento de vanguarda, que, dentre outras características, retratava a realidade brasileira. Em Divã, que tem Lilia Cabral, Diva maravilhosa, como protagonista, outra realidade é explorada: os sentimentos femininos e a auto descoberta da mulher.

Não se trata de mais um filminho para apenas encher mais os cofres da Globo (embora não tenho dúvida de que eles pensaram muito nisso). É um filme emocionante, engraçado, que tira lágrimas e risos.

Lilia Cabral é Mercedes, uma mulher de 40 anos, casada com Gustavo (José Mayer) e mãe de dois filhos, que decide procurar um psicanalista. A princípio, a decisão, que seria apenas para matar uma curiosidade, provoca uma série de mudanças em seu cotidiano. No divã, Mercedes questiona seu casamento, a realização profissional e seu poder de sedução.

A melhor amiga, Mônica (Alexandra Ritcher), companheira de todos os momentos, vê de perto a transformação de Mercedes e participa de suas novas experiências e descobertas, apesar de nem sempre concordar com suas escolhas.

O roteiro é inteligente, usa os personagens coadjuvantes para confrontar Mercedes e coloca-la em situações decisivas: quando seu casamento de 20 anos está à beira do divórcio ela conhece Theo, interpretado por ninguém menos do que Reynaldo Gianecchini. O roteiro também surpreende. Monica faz um contraponto com Mercedes. Enquanto Mercedes fica cada vez mais liberal em busca por sua emancipação como mulher, Monica é uma dondoca cujo único interesse é cuidar de sua família e o único homem pelo qual ela sente atração é o próprio marido. E um ponto positivo do texto é não faz juízo de valor dela.

No desenrolar da trama, Mercedes, que muito bem representa a moderna mulher brasileira, está em busca da felicidade. E em meio a todas as confusões e transformações da sua vida, não se diz deprimida ou infeliz. Apenas vive cada momento em sua intensidade e busca incessantemente estar em paz consigo. É um filme que indico, não só para as mulheres, que com certeza vão amar, mas aos homens, para compreenderem um pouco mais sobre a alma feminina.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Preciosas irmãs


Coisa que eu gosto é de ter irmãs, até por que eu só tenho a elas. Não sei como é ter irmãos, mas observo que quem tem muitas irmãs, como minha sogra, possui uma preciosa rede de afetos.

Por sorte, somos irmãs que se dão bem. Uma muito distinta da outra, interesses e inclinações pessoais que fazem com que esta relação seja ainda mais rica.

Nelas tenho a nostalgia do sabor das brincadeiras de boneca na infância, das epopéias que eram as “cozinhadinhas” e o auxílio sempre imprescindível do “Seu Damásio” para acender o fogo que nunca pegava.

Nelas a referência de amizade para buscar no mundo a fora, o julgamento de gosto quase sempre muito bem humorado das minhas esquisitices, o conforto de me sentir em casa e sempre bem-vinda.

Não sei como descrever o quanto eram e ainda são, divertidas e reconfortadoras nossas conversas. Digo reconfortadoras por terem a incrível habilidade de preencher o meu coração de alegria espontânea, sincera e motivação para amá-las ainda mais. Antes, pela madrugada a fora em nosso quarto comprido, com as três camas enfileiradas onde meu pai sempre aparecia para dar uma bronca, mandando a gente fazer silêncio com aquela cara de riso, do tipo “Tô aqui por que sua mãe mandou” e hoje, na cozinha da casa dos meus pais.

Preciosas conversas onde se fala de tudo, de todos, as minhas impressões de mundo são sempre atacadas às risadas e tento filosofar com minha mãe. Aliás, parece que a mãe virou um pouco irmã, e hoje mais que nunca assumiu um papel de parceria longe do tom professoral e diretora de escola de sempre.

Então é isso, é por amá-las que publicamente digo o que mais gosto em vocês. Valiosas, importantes, admiráveis e presumidas como quesito para minha felicidade.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Senso crítico

Há algum tempo eu decidi não emitir ostensivamente minha opinião sobre música, cinema e algumas outras coisas que envolvem gosto pessoal, pois é muito chato ter que se explicar.

O senso crítico ou a mera reflexão a cerca da qualidade e competência destes produtos culturais soa como inadequado ou como prepotência de quem se acha melhor que os outros. Ou, na linguagem usual, chata mesmo!

Sim eu assisto a comédias românticas, amo Julia Roberts e Johnny Depp e de vez em quando me cai um Best seller em mãos, mas o “x” da questão é: o problema não é ser popular, é ser previsível.

Sem querer ser frankfurtiana demais, mas buscando um meio termo, eu não suporto qualquer coisa onde não haja espaço para a conexão lógica, para o alento intelectual, para o esforço cerebral.

Sou contra a estagnação e falta de criatividade. Para mim, divertir significa compactuar, estar de acordo e eu não posso fazê-lo diante do Djavu que copia a inteligência popular da Banda Caplipso, nem diante do Pânico na TV que precisa humilhar para fazer humor, frente aos inumeráveis besteróis do cinema, da banda que ontem tocava pagode e hoje faz sertanejo universitário (o que é isso?!), também não danço o Funk da Piriguete por que eu nunca fui uma, dos filmes brasileiros sem personalidade que querem imitar os hollywoodianos e por aí vai.

Creio profundamente que enquanto todo mundo fica paradinho consumindo o previsível e confortável, criado milimétricamente para ser uma torrente sensorial vazia, ficamos insensíveis para o novo, compactuamos com valores incoerentes aos nossos e fazemos muita gente enriquecer a custa da nossa inércia mental.

Então, eu vou continuar sim a falar mal de muita coisa, de muitos filmes, da postura de muitas mulheres no cinema e na TV e de toda a produção de música sertaneja que toma conta dos bares da Goiânia Rock City (ai que saudade!) e incoerentemente, consumir muitas outras coisas por que eu sei que tenho essa possibilidade de escolha.

terça-feira, 13 de abril de 2010

*** (em busca de um título...perfeito?!)

Ela escolheu ser perfeita. Percebeu cedo que a maioria das pessoas julga baseado naquilo que os demais alcançaram ou conquistaram e concluiu facilmente que demonstrar suas fraquezas e limitações poderia ser muito perigoso e humilhante.
Perigoso por que a vida é uma guerra, e neste caso, demonstrar suas fraquezas seria dar motivos para ser massacrado pelo inimigo.
Humilhante, pois ao assumir para si mesma que erra, destruiria o pedestal em que se colocou e a assentaria no mesmo patamar das demais criaturas. O orgulho, massacrado, não suportaria por muito tempo e morreria sufocado.
Assim, não querendo perder seu espaço no mundo ou desapontar o orgulho que pulsa em suas veias, seguiu trabalhando minuciosamente para alcançar resultados perfeitos no dia a dia. Mas, no fundo o que ela queria era desesperadamente ser amada e aceita.
Vestiu-se de virtudes que não possuía para encobrir deformidades tão humanas como de qualquer outra criatura, limitações psicológicas, emocionais e espirituais próprias dessa nossa natureza imperfeita.
Com as próteses de virtudes, veio a doença: o perfeccionismo. Esse teimosismo em ser Deus somado à prepotência de quem acha que pode controlar todas as variáveis de sua vida.
Desta forma, propondo-se objetivos irrealizáveis amparados numa autocrítica constante, veio um sentimento de que nunca era boa o bastante e o pavor da desaprovação. Daí para achar que o controle de si mesma era sinônimo de disciplina e força, foi um pulo!
Deixou de ser complacente consigo mesma, estabeleceu critérios para medir sua eficácia, menosprezou a capacidade das pessoas ao seu redor, tolheu familiares e amigos, embarcou na agressividade e depressão diante das frustrações óbvias que enfrenta que não consegue ter uma visão realista de si.
Viu-se só. E no silêncio que desde então se encontrava, percebeu que tinha pavor de ser humana.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ser magra

Após quilos de chocolate, o assunto é recorrente: dieta já!
Para não perder a oportunidade de rir e criticar os desatinos da magreza, o humor peculiar da cartunista argentina Maitena.
Para melhor leitura, clique na imagem.