quinta-feira, 11 de abril de 2013

Guia do turista solteiro em Paris

Paris é considerada a cidade mais romântica do mundo! Muito se pensa nos momentos a dois nesta cidade mas nem só de cafés a meia luz, passeios de barco pelo Rio Sena e pôr do sol abraçadinho em Sacre Couer se faz Paris.

Há uma Paris disponível pra o turista solteiro também. A primeira vez que fui a Paris foi do jeito romântico. Mas voltei lá outras vezes com amigos e sempre com um amigo que ainda não conhece a cidade e quer fazer os mesmos passeios tradicionais. Então tive que aprender a adaptar o circuito turístico básico a oportunidades de encontrar gente jovem e legal. Fiz isso baseado em  sites e blogs franceses e também com dicas do meu amigo Pedro Paulo, que mora lá. Então, segue aí vai o roteiro pra vocês. Para este roteiro é necessário pelo menos 4 dias na cidade.


ROTEIRO

Dia 1

Montmartre é um bairro pitoresco que é famoso pela sua igreja, o Sacré-Coeur e também é historicamente conhecido por ser local de artistas e boêmia, o que acontece até hoje. Em Montmartre, por exemplo, fica o Moulin Rouge,  que também vale a visita. . E também ali se pode ter vista uma incrível de Paris.

Comece seu passeio do dia pela opera Garnier, se não for um domingo é possível fazer boas compras ali por perto, seja nas Galeries Lafayette ou nas centenas de outras lojas da região.  Depois pegue o metro em direção a Montmartre.

Você até pode ir a Montmartre e ver o por do sol do alto das escadarias da Igreja de Sacre Couer mas compre uma cerveja em algum botequinho que vir pelo caminho e sente próximo a algum grupo de jovens que se reúnem lá pra beber tendo uma boa vista da cidade. Para de chegar lá, pode-se seguir o seguinte caminho: É bom almoçar, e aos sábados e domingos é melhor, em algum restaurante do boulevard de Clichy, entre as estações Blanche e Pigalle. Se o dia for de sol pegue uma mesa externa, é claro, e fique vendo o movimento. Vai ter muito turista mas também muita gente interessante passando ou na mesa ao lado. Almoce com calma, como faz o francês, pode gastar umas 2h pra seu almoço.

Depois é hora de comprar suas lembrancinhas da cidade, ali é o melhor lugar pra comprar. Faça o circuito pelo bairro de Montmartre subindo em direção a praça Tertre, é bem movimentado. Depois chegue até Sacre Couer e beba sua cerveja nas escadarias.
Vale também ir ao Café dês Deux moulins(15 Rue Lepic), onde a Amelie Poulin trabalhava no filme “O fabuloso destino de Amelie Poulin”. O café tem boas bebidas e comidas, o ambiente é cool e decorado em art deco e por isso tem muita gente bonita lá.

Pra acabar a noite pode-se ir ao O’Sullivans (92 Boulevard de Clichy), um music bar bem divertido e com boa cerveja com entrada free até ás 22h, que é quando ele realmente começa a fever, essa foi uma dica do amigo Pedro Paulo, que eu achei ótima. Ou se você não estiver tão animado  também pode-se ir Edward and Sons Old Irish Pub (10 boulevard de Clichy), um pub estiloso pra terminar a noite (fecha por volta de meia noite).


Dia 2

Mas, espera um pouco! Se é a primeira vez em Paris, é preciso fazer o passeio turistico mais básico. Visite o Louvre! Depois saia dali em direção ao Arco do Triunfo. Espero que esteja usando sapatos confortáveis, serão mais de 5 km de caminhada. No caminho visite os Jardins de Tuileries, as mulheres vão querer dar uma escapadinha a altura da Place Vendome e rua Royale pra ver as lojas elegantes e todos devem ir até na LaDureé (rue Royale, 16 ) pra comer os maravilhosos macarrons desta maison tradicional.


Voltando a nossa rota, siga o passeio pela Champs Elysées. Logo se chega a parte comercial desta avenida, que independente de compras merece a visita. Ali se tem a possibilidade de compras em lojas mais acessíveis e os também é legal visitar as lojas conceito de carros.

Depois deste panorama é hora de visitar a Torre Eiffel. Do Arco do Triunfo então se tem duas opções. Se ainda está animado pra caminhar vá pela Av. d’Iéna até Jardins Du Trocadero. Mas se preferir pegar o metrô, minha dica é descer na estação Dupleix ( da estação Charles de Gaulle Étolle pegue a linha M6 direção Nation ) ou École Miliaire. De lá siga andando pelo Champ de Mars, passe por baixo da Torre Eiff e tire fotos por todos os ângulos até chegar em Trocadero. Faça isso ainda enquanto tiver sol.

Agora é hora de esperar anoitecer pra tirar outras fotos com a torre iluminada. Se enquanto espera você quer algo mais animado, o melhor é o happy hour do Pub Frog (110 bis Avenue Kléber). A comida e o chope são bons e os freqüentadores ainda melhores. Se estiver tendo algum jogo, tudo fica ainda mais animado. Não vá beber demais e esquecer de voltar para as fotos noturnas, lembre-se que a torre “brilha” de hora em hora, se quiser voltar para o hotel de metrô é mais seguro ver o show das 23h.


 Dia 3

Continuando o roteiro básico por Paris. Desça na estação Champs Elysées – Clemenceau e visite o Petit Palais e Grand Palais, depois a Ponte Alexandre III. E o Hotel des Invalides. Margeando o Rio Sena pode-se chegar ao Musée D’Orsay.

Depois de lá visite a Ile de France  onde  na minha opinião é preciso ver: ponte Neuf, Catedral de Notre Dame, La Conciergerie e Saint Chapelle.
Suponho que  a esta altura você já tenha almoçado mas se quiser um lanche a melhor opção é deixar pra comer nas proximidades da Sorbone, isto segue a lógica de qualquer lugar: universitário é sempre quebrado, então nas perto da universidade sempre tem opções baratas pra comer.

O próximo passo é visitar os Jardins de Luxemburgo, descanse um pouco por ali. No entanto, se for do tipo atlético, é hora de vestir sua roupinha de corrida e aproveitar o local e também as pessoas bonitas que no fim da tarde se exercitam no parque.

Para terminar o dia, saia do Jardim de Luxemburgo pelo Boulevard Saint Michel, vire a direita na Rue Soufflot e siga em direção a Rue Mouffetard. Ali também tem um happy your animado, há vários bares e cafés e todos ficam cheios no final da tarde. Nas proximidades eu recomendo:  Le Piano Vache ( 8 rue Laplace, Mouffetard) e L’Antidote (45 Rue Descartes, Quartier Latin). Quer algo  um pouco mais animado, então vá ao Le Cavern' (21 rue Dauphine), lá tem shows ao vivo de estilos variados mas algo que fica mais para o rock, vale ver a programção deles na internet antes de se programar pra ir.

Dia 4

O dia seguinte comece sua visita pela cidade pelo Centre Pompidou e a fonte Igor Stravinsky. Depois caminhe pela Rue Rambuteau em direção ao Marais. Para comprar coisas descoladas pra casa, o legal é ver as lojinhas da Rue Sainte-Croix de la Bretonnerie. Almoce um falafel, pode ser no famoso L'As Du Fallafel (34 Rue des Rosiers). De pé, na rua mesmo. Continue seu passeio pelo bairro e também pela Île Saint-Louis onde haverão muitas lojas, cafés e restaurantes legais e sempre com gente bonita. Ali perto eu achei legal também o Instituto Mundo Arabe (Rue des Fossés Saint-Bernard, 1).

Se já estiver perto do final da tarde, neste trajeto já passe por algum mercado e compre seu baguete e patê e seu vinho e depois pare pra um picnic ao entardecer nas margens do Rio Sena, nas proximidades de Quai Saint Bernard  é um ponto de encontro pra jovens que não querem gastar muito pra se divertir.

Se ainda for cedo e você tiver algum tempo, visite La defense, o centro comercial de Paris, lá há um Grande e moderno arco que se alinha ao arco do Triunfo. Do lado esquerdo do Grande Arco se quiser ainda mais compras há um grande Shopping Center , a primeira vista ele é discreto, vale seguir o fluxo da população local para chegar até ele.

Voltando ao charmoso Marais:  para a noite deste dia, se ainda estiver com fome vá ao Breizh Café –
 La Crêpe Autrement  (109 Rue Vieille du Temple) que considerada é a melhor creperia de Paris. Para terminar a noite sugiro o Le Cud  Bar  (12 rue des Haudriettes), para quem ainda está animado pois é uma balada que começa mais tarde mas vale a pena.


 Para finalizar, algumas dicas:

1. Seja qualquer lugar da Europa, ele vale ser visitado na primavera ou ainda melhor no verão. Tudo é melhor é mais  animado nesta época.
2. Não aborde um francês falando em inglês, sempre cumprimente na língua local, explique que você não fala francês e pergunte se pode falar com ele em inglês. Em locais comerciais e hotéis normalmente eles não se importam, mas no geral eles não gostam.
3. Quando tiver oportunidade prefira as comidas de rua, elas são mais baratas e você interage com o espírito da cidade.

Por Srtª Aquino, diva viajante

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Café com as amigas


Palestra de Chefe de Psiquiatria da Universidade Stanford: A Relação entre o Corpo e a Alma, Stress e Desconforto Físico. No final de uma palestra o palestrante apontou, entre outras coisas, que os estudos mostram que uma das melhores coisas que um homem pode fazer por sua saúde é se casar com uma mulher. O casamento aumenta a longevidade e o bem-estar pessoal do homem. 

E sobre a mulher? O palestrante apontou dado surpreendente - a mulher, por sua saúde, precisa cultivar seus relacionamentos com suas amigas! No início, essa declaração provocou risos na platéia, mas o professor falou muito a sério. Estudos realizados mostram que as mulheres se  conectam de maneira diferente dos homens e fornecem outros sistemas de apoio que as ajudam a lidar com experiências estressantes e difíceis em suas vidas. "Tempo de Amigas" é muito significativo no nível
fisiológico, ajuda a produzir mais serotonina (um neurotransmissor)  que auxilia no combate à depressão e cria um sentimento geral de bem-estar e um sentimento positivo.

As mulheres tendem a compartilhar seus sentimentos, enquanto os homens geralmente se conectam em torno de tarefas. Eles raramente se sentam com um amigo falando sobre como se sentem sobre algo, ou como está sua vida pessoal. Trabalho? Sim! Esportes? Sim!, Carros? Sim! Mas os seus sentimentos? Apenas raramente. As mulheres fazem isso o tempo todo. Elas compartilham sentimentos e emoções das profundezas de suas almas com suas amigas, e parece que isso realmente contribui para a sua própria saúde.

Conferencista acrescentou, sublinhando que o tempo gasto com amigas é tão importante para a saúde das mulheres como correr ou trabalhar no ginásio. De fato, há uma tendência a se pensar que é quando nos envolvemos com alguma atividade física que estamos fazendo algo de bom  para o nosso corpo, enquanto que quando falamos com as nossas amigas, nós "desperdiçamos" o tempo em vez de fazer algo mais produtivo. Então, provavelmente, isso não é verdade. 

Na verdade, o orador salientou que não criar e manter relacionamentos de qualidade com outras pessoas prejudica a nossa saúde física, "pelo menos, como o fumo!" Portanto, cada vez que nós (as mulheres, é claro) sentamos para conversar com uma amiga, é importante congratular-nos de que estamos fazendo algo benéfico para a nossa saúde. Na verdade, nós somos sortudas! Nossa amizade é muito essencial para nossa saúde!

Tim-Tim ao café com as minhas amigas!

(Autor desconhecido - enviado pela Diva Mariane Aquino ao grupo das Divas)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Seja você também uma Diva



Hoje vimos esta imagem compartilhada no face e pensamos: isso é tão "votos de Diva para 2013"! Quantos desejos leves e essenciais para a felicidade esta pequena mensagem carrega. Isso nos levou a refletir ser este o motivo de termos um grupo de amigas queridas que se reúnem para ocupar o tempo e preenchê-lo com companhias e conversas estimulantes.

Estes nossos encontros são pausas programadas para mudar o astral, pois sinceramente acreditamos que somos artífices de nossa felicidade. Nós escolhemos alterar nossas rotinas para trazer um pouco de poesia a ela. Às vezes o encontro é sucesso de público, outras vezes, nem tanto. Algumas vezes eles são melancólicos, mas a maioria é alegre. Alguns terapêuticos, existencialistas, outros com uma temática caliente, às vezes a discussão é acalorada e polêmica, noutros, a mais perfeita e estereotipada definição do clube da luluzinha. Mas é sempre bom.

Mulheres solteiras, casadas, mães, aspirantes a mães, outras sem-filhos convictas, profissionais competentes, trabalhadoras, estudiosas, espíritas, dedicadas, responsáveis e lindas... Mas não é isso que nos define, somos DIVAS! Ou seja, adeptas de um cotidiano enfeitado, por que a rotina já é pesada demais para a gente se deixar render. Favoráveis a colocar um laço de fita na vida a fim de que ela fique mais bonita.

E assim, construímos rodadas de conversa que curam. Entremeadas a brindes de qualquer coisa que estiver em mãos (pois não é isso que faz a diferença, é a mágica do tilintar de taças), sobremesas e muitas risadas, tecemos diálogos que ampliam a fé no futuro, alargam sonhos e acalentam o coração como uma prece.

Não nos contentamos em hora marcada para ser feliz, para espairecer. Acreditamos que se depositarmos toda esta responsabilidade nas nossas queridas férias, finais de semana, nas nossas metas profissionais e financeiras, em nossos cônjuges e companheiros de caminhada e qualquer coisa que esteja fora de nós, seremos eternamente insatisfeitas.

Pensamos que seja questão de saúde ser uma Diva e que qualquer ser humano que se preze, merece pausas tão felizes.

Então, um convite: seja uma Diva em 2013! Nosso clubinho é felizmente fechado, para que o clima de confiança mútua não se esvaia e a coisa seja toda terapêutica mesmo, mas nosso convite é para que você programe pausas leves na sua rotina, rodeadas de pessoas queridas que tragam alento, leveza e bem estar ao seu dia-a-dia. Um clube da Luluzinha, uma reunião das devassas, a turma do café, do almoço de sexta, do happy hour, da corrida, da caminhada, do chopp, whatever! Um grupo de mulheres com o compromisso periódico de se reunirem para compartilharem sentimentos.

Você tem um grupo de amigas Divas? Então compartilhe a experiência conosco e poste seu comentário. E pela terceira vez este mês, feliz 2013 Sua Diva Linda!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Que venha 2013!



Poucas experiências são tão transcendentais quanto jogar a tralha fora e praticar o desapego. Tirar tudo aquilo que não tem serventia da casa, do escritório e da vida e que você às vezes até tem resistência, por medo de achar que “uma hora vai servir”. A gente demora a perceber que a blusa está desbotada, que o vaso no aparador está trincado ou que alguém está ocupando um espaço na sua vida que não tem mais sentido. E nisso, a tralha vai se acumulando durante todo ano. E a gente vai apenas “ajeitando” as coisas por falta de tempo de simplesmente descartar ou doar. Quando vemos, não temos espaço para o novo. Simplesmente porque o velho ocupa todos os cantos da sala, do armário e da vida.
Começo de ano é sempre uma ótima oportunidade de colocar a “casa em ordem” e encerrar ciclos. Tirar um dia ou até mais para uma faxina geral, dentro e fora de si. Se livrar das mágoas, do estresse, da raiva, da insegurança, daquele vestido apertado, do sapato que está com o salto quebrado, das flores de plástico empoeiradas. Reorganizar o coração, o guarda-roupa e o armário da cozinha fazem um bem danado. Principalmente quando envolvidos pela atmosfera do novo ano, quando as energias são de renovação e entusiasmo.
Eu fiz neste feriado prolongado minha faxina geral. Abri espaços dentro e fora de mim para o novo chegar: um vestido, um namorado, viagens, projetos acadêmicos. Agora me sinto totalmente aberta para 2013 começar lindo e cheio de boas surpresas!

Ana Carol

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Este post não é sobre os ciganos, é uma mensagem de ano novo


Hoje eu acordei pensando na minha pesquisa de mestrado e em tudo que ela me ensinou. Ela tem como tema central a investigação dos recursos utilizados por diretores de cinema brasileiros para representar os ciganos no documentário brasileiro. Minha hipótese se comprovou. O método mais empregado para construção das imagens analisadas é a estereotipia. No caso dos ciganos, estereótipos negativos, não discutidos ou questionados nos 400 anos da presença deles em terras brasileiras, apenas reforçados pelo cinema como se aquilo fosse a única verdade em torno do tema. São imagens que dizem da submissão feminina, o nomadismo selvagem, o ocultismo e a leitura de sorte, a sujeira e a falta de higiene, o marginal e o ladrão.

O estereótipo funcionaria como “teorias do senso comum”, que laboram para tentar abarcar toda a complexidade de um objeto, visando facilitar a comunicação e orientar o relacionamento entre indivíduos e acabam por intervir no imaginário social acerca de sujeitos ou grupos. O estereótipo enquanto estratégia de redução de toda a variedade de atributos de um povo a alguns atributos essenciais, encoraja um conhecimento intuitivo sobre o outro e ajuda a demarcar fronteiras simbólicas entre o “nós” e “eles”.

E qual o problema disso tudo? Não vou me ater a discutir todas as imagens e as perspectivas sócio-históricas e culturais da pesquisa, por que este post não é para falar disso. Daqui uns dias publico um livro e vocês podem ler detalhadamente as 120 páginas desta investigação. O fato é que estereótipos são aprisionantes, não franqueiam ao outro que estereotipamos a oportunidade de ser diferente daquilo que pensamos sobre ele, não abrimos possibilidade para o encontro, ao intercâmbio, à mudança de nossos paradigmas pessoais e para a surpresa de conhecer aquilo que já pensávamos saber. O problema é que quando pensamos conhecer algo sobre o outro, muitas vezes não estamos dispostos a flexibilizar o olhar, ver de uma nova perspectiva, com uma luz diferente e por fim, surge o preconceito.

Quantas vezes eu nas rodas de amigos, ao expor minhas conclusões e insights da pesquisa ouvi: “Não, mas isso que você relata não é cigano de verdade. Cigano de verdade é assim, é assado. Eu sei! Eu via os ciganos lá no interior, próximo à fazenda da minha avó”. Eu retrucava: “Você conversava com algum deles?” e a resposta quase sempre era: “Não, eu tinha medo. Pavor de cigano!”.

Bem, eu disse que o tema deste post não eram os estereótipos negativos em torno das imagens construídas no Brasil sobre ciganos. Esta postagem é sobre como eu finalmente aprendi sobre o que discutia na teoria e sobre como vivenciei a dor daqueles que estudo à minha maneira. É que de repente me vi vítima de estereótipos criados por pessoas muito próximas de mim. Senti-me encaixotada, sem possibilidade de ação. Como se nada que eu fizesse fora daquele espaço a mim designado fosse legitimado.

Assim como os ciganos, precisei me afastar para me proteger. Montei meu acampamento emocional bem distante da dor, mesmo sendo aquele um lugar desconfortável, sujo e frio, mas pelo menos ele era seguro. Também precisei, como um marginal, me defender com violência, para que respeitassem as minhas fronteiras. Se o respeito não viesse pela compreensão, que pelo menos ele surgisse fruto do medo da minha voz alta! Depois, eu me calei. Como um cigano da cidade, eu me disfarcei, deixei minhas vestes tradicionais no meu baú emocional em casa e me reintegrei à sociedade, disfarçada de pessoa comum, vítima de normose, exatamente da forma como esperavam que eu fosse. Mas quando alguém descobria que eu estava disfarçada, precisava fugir, voltar a ser nômade ou uma nova onda de intolerância poderia me atingir.

Aos poucos e com um certo esforço, fui construindo uma nova forma de viver e de me posicionar de maneira autêntica para não ferir a mim mesma, mas distante o suficiente para que não fosse ferida.

Viver a dor do preconceito, fruto do estereótipo mesmo em escala menor e num âmbito totalmente subjetivo me fez pensar: quantas vezes não agi da mesma forma com as pessoas que amo e as demais que me rodeiam? Quantas vezes não fui capaz de ouvi-las e compreendê-las, pois as coloquei em caixinhas blindadas pelo o que já sabia sobre elas e não as ofertei oportunidade de agirem diferente daquilo que imaginava? Quantas vezes não fui eu a opressora? Fui invadida por uma ressaca moral de uma vida inteira.

Finalmente aprendi o que queria que os outros internalizassem ao ler minha dissertação. Dizem que a gente só é mestre quando aprende a lição, que ninguém ajuda ninguém a chegar a um lugar emocional que desconhece, que a palavra empolga, mas o exemplo é que arrasta...Pois bem, diante disso, posso dizer: peguei meu título de mestre tem alguns meses e não há um ano e meio como imaginava. E se me permitissem uma única recomendação para 2013 eu diria: estendam racionalmente olhos de compreensão e tolerância aos que te cercam. Façam o exercício de serem fraternos e se colocarem no lugar do outro nas próximas 365 oportunidades que teremos pela frente. Exercitando bondade e tolerância é que aprenderemos a ser bons e a amar verdadeiramente.

Feliz 2013!

sábado, 8 de setembro de 2012

Reverência ao Sol




Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, morreu no último dia 25, aos 82 anos. Sua família, em homenagem ao astronauta, proclamou a todos os cidadãos do mundo que se lembrassem dele toda vez que olhassem a Lua. Inevitável: no dia seguinte a essa declaração, minha memória me remeteu àquela carinha galega e sorridente, dentro do imenso capacete.

Mas não deixo de também enxergar um coelho estampado na Lua cheia. Dizem que só os apaixonados são capazes de identificar a criaturinha quando se observa a Lua. Há também os que veem a figura épica de São Jorge montado em seu cavalo e com sua espada em riste. Talvez seja pela lenda do santo que a Lua seja tão associada a casais apaixonados, sonhar acordado e outras suspirices do tipo.

Mas pra mim, o que deveras me desconecta do que quer que eu esteja fazendo somente para contemplá-lo, o que sinceramente me causa um suspiro apaixonado e profundo, magnetizando meu olhar por completo, é o tal do pôr-do-sol.

Nenhum cenário é tão hipnotizante pra mim quanto aquele degradê de tons alaranjados e rosáceos despontando na imensidão azul. Sou capaz de parar o carro num lugar qualquer só para fitar esse espetáculo que diariamente nos é apresentado. E democraticamente, onde quer que estejamos, seja dentro de um carro de luxo, seja por entre as grades de um xilindró, embaixo de uma marquise ou esticado numa rede na praia, podemos admirar essa despedida solene do Sol, recolhendo com ele o que se foi e nos inspirando para o que ainda virá.

Esse é o astro-rei que me enche de suspiros, me dá uma alegria imensa por ter olhos de ver e um nózinho na garganta de agradecimento à Vida e ao Artista que, magicamente, pinta essas nuances de cor e energia todos os dias. Assim, de graça. Escancarado.

E o que me resta é me curvar diante dele. E esperar a Lua.

Por Andrea Lino (declarando seu amor ao céu de Brasília).

terça-feira, 24 de abril de 2012

Hermanos, aqui vou eu!


Então desde que muitas mudanças ocorreram na minha vida um dos pontos identificados em terapia que eu precisava mudar era a rigidez e a mania de planos. O futuro estava totalmente planejado e eu já sabia tudo o que iria acontecer nos próximos 10 anos. Quando meus planos foram frustrados fiquei sem chão. Pois bem, a ordem da vez é não planejar a longo prazo e viver o presente, sem tantas regras.
Eis que minha querida amiga Thaís Saboia (que diga-se de passagem está vivendo o mesmo o que eu, o que tem sido ótimo para as duas compartilhar as angustias) me faz um convite que me força a exercitar a minha nova proposta de vida: alguns dias no inverno rigoroso de Buenos Aires em junho.

Não posso negar que fiquei em um dilema: gastar parte da minha suada poupança do carro numa viagem e enfrentar o frio. Eu sei, essa parte do frio parece ridículo. Mas tenho medo de morrer (literalmente) com os ventos gelados.
Então amores, vou para Buenos Aires! Passagem comprada e agora vendo o que posso usar de roupa para não passar frio e ainda ficar bonita na foto! Mega feliz, meio ansiosa e orgulhosa de mim. Vou viajar com mais um monte de mulher, das quais só conheço a Thaís e a Maíra, outra amiga querida. Aberta a novas amizades, possibilidades e experiências, Hermanos, aqui vou eu!