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sábado, 8 de setembro de 2012

Reverência ao Sol




Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, morreu no último dia 25, aos 82 anos. Sua família, em homenagem ao astronauta, proclamou a todos os cidadãos do mundo que se lembrassem dele toda vez que olhassem a Lua. Inevitável: no dia seguinte a essa declaração, minha memória me remeteu àquela carinha galega e sorridente, dentro do imenso capacete.

Mas não deixo de também enxergar um coelho estampado na Lua cheia. Dizem que só os apaixonados são capazes de identificar a criaturinha quando se observa a Lua. Há também os que veem a figura épica de São Jorge montado em seu cavalo e com sua espada em riste. Talvez seja pela lenda do santo que a Lua seja tão associada a casais apaixonados, sonhar acordado e outras suspirices do tipo.

Mas pra mim, o que deveras me desconecta do que quer que eu esteja fazendo somente para contemplá-lo, o que sinceramente me causa um suspiro apaixonado e profundo, magnetizando meu olhar por completo, é o tal do pôr-do-sol.

Nenhum cenário é tão hipnotizante pra mim quanto aquele degradê de tons alaranjados e rosáceos despontando na imensidão azul. Sou capaz de parar o carro num lugar qualquer só para fitar esse espetáculo que diariamente nos é apresentado. E democraticamente, onde quer que estejamos, seja dentro de um carro de luxo, seja por entre as grades de um xilindró, embaixo de uma marquise ou esticado numa rede na praia, podemos admirar essa despedida solene do Sol, recolhendo com ele o que se foi e nos inspirando para o que ainda virá.

Esse é o astro-rei que me enche de suspiros, me dá uma alegria imensa por ter olhos de ver e um nózinho na garganta de agradecimento à Vida e ao Artista que, magicamente, pinta essas nuances de cor e energia todos os dias. Assim, de graça. Escancarado.

E o que me resta é me curvar diante dele. E esperar a Lua.

Por Andrea Lino (declarando seu amor ao céu de Brasília).