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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Dica de viagem: Bangkok 
Por Karine Aquino

Conhecer a Tailândia é uma experiencia inesquecível!  Um lugar apropriado para férias de Divas!  A natureza e as praias são maravilhosas mas reserve um tempo também para Bangkok, esse lugar resume um pouco do que ser espera de uma cidade asiática: grandes e modernos  edifícios, templos maravilhosos e vida simples e pitoresca. Faço aqui uma opção do que se pode fazer em 3 dias em Bangkok.



Dia 1
Que horas você chega? Normalmente o primeiro dia é um dia que não aproveitamos por inteiro pois tem chegada ao aeroporto, check in no hotel etc. Então por já estar perdendo uma parte do dia, talvez o melhor seja começar fazendo algo mais flexível, como compras…

 Existem mercados  com artesanato local , como por exemplo o Chatuchak (que só abre nos fins de semana -587/10 Kamphaeng Phet 2 Rd, Chatuchak, Bangkok 10900) ou o Sampeng Market (Yaowarat Rd, Bangkok, Tailândia). Nada melhor para se conectar com a cultura local, é ótimo. Você encontra de tudo lá mas vou te falar a verdade, faz um calor desesperante  e  por fim você fica louca pra ir embora antes que comece a desidratar. Se você saiu de lá sem conseguir comprar tudo o que queria, ainda tem uma opção. No Centro MBK (444 Phayathai Rd, Bangkok, Pathumwan 10330, perto da estação National Stadium do BTS)  tem os mesmos artesanatos que tem nas feirinhas e com os mesmos preços, só que com ar condicionado, é em alguns dos últimos andares, não me lembro bem qual. É permitido pechinchar, pode não ser algo forte na cultura deles mas pode negociar o preço tranquilamente. Nos andares mais baixos tem eletrônicos, tem um andar para alimentação, etc.

Aproveite que está nessa área central e conheça uma das principais regiões da cidade. Saia andando pela passarela do BTS e vá até os shoppings Siam, o Siam Paragon é o que tem as lojas das marcas mais famosas mas é a mesma coisa que você vê em qualquer lugar do mundo, o que eu acho boa ideia, é comer aqui por causa das opções variadas: comidas locais ou não, de acordo com a preferencia de cada um - eu admito que não me adaptei bem a comida local,  embora as misturas de sabores sejam interessantes, é muito picante pra mim. Compras não  é algo que chame a atenção porque os preços são basicamente os mesmos do Brasil. No Siam Paragon também tem um bom supermercado como produtos locais e ocidentais, se estiver precisando de alguma coisa é a hora.
Continue andando sempre pela passarela do BTS, as vezes ela acaba e você tem que descer ou entrar numa loja depois sobe de novo, se cansar pegue o BTS um pouco.  Perto do Central Chidlom tem muito local para massagem, pode entrar um pouquinho na Av. Chit Lom Alley, e fique de olho. Na esquina da Chit Lom Alley com Pholen Chit Road tem várias barraquinhas de comida, se não quis alimentação de shopping e quer fazer como os locais é ali que muitos deles almoçam. Não deixe de fazer massagem, a cada dia escolha uma diferente: para  os pés, para a cabeça e pescoço, massagem tailandesa e por aí vai. Lembre-se que nesses locais você deve falar baixo e tirar seus sapatos. Gosto do chazinho que eles oferecem (sem açúcar, claro).  Aí depois desta volta pelo centro comercial você já vai ter uma boa ideia da cidade. E a cidade é suja mesmo, eu ficava pensando: "por que ninguém lava sua calçada?". Relaxa e vai em frente.

Se depois da massagem já for final da tarde, vá um pouco mais a frente ainda seguindo a linha do BTS e vá fazer seu happy hour no Cheap Charlie's Bar (35 Sukhumvit Soi 11, Sukhumvit Rd - Estação Nana). Esse local representa a alma eclética de Bangkok. Esse bar é famoso por servir a cerveja mais barata da cidade e  além disso ele tem uma decoração super interessante. O local é frequentado por todo tipo de gente, locais e estrangeiros, jovens ou mais velhos, loucos ou normais… O ambiente é bem informal, você pede a bebida no balcão (é tipo um quiosque), já paga por ela na hora e se vire para ver onde você vai se instalar, tudo é bem informal.

Depois dali pode ir jantar no Zanzibar - (Sukhumvit 11 - Wattana) Dá pra ir a pé a partir do Cheaps Charlie's. O ambiente do bar é gostoso,  bem cheio de vegetação, o que ameniza o calor. Mas o melhor a meu ver é a comida, tem um salmão com queijo italiano que é uma delícia, já aconteceu de pedir um prato tailandês que estava muito gostoso mas extremamente picante, não deu pra comer. É preciso ter cuidado na escolha dos pratos.

Soi Cowboy

Se quer entender um pouco a vida de prostituição em Bangkok (considero turístico também), ali perto dê uma passada no Nana 4 (estação Nana do BTS) ou na Soi Cowboy ( estação Asok). Tem outras turistas que vão lá também (mas precisa tomar pelo menos 1 drink se entrar em alguma das boates). Não precisa gastar muito tempo lá. Acho que agora você vai querer descansar, né? Boa noite.

 Wat  Pra Krao

Dia 2
Você vai aos templos, né?!?!?!  É imperdível. Faz um calor infernal e tem que estar com tudo coberto: pernas e ombros senão você é barrada na entrada (ou eles te emprestam uns lenços para se enrolar). Leve um vestido leve para este dia, e minha dica para as fotos: use algo de uma cor única pois os templos já são muito rebuscados, assim você vai aparecer na sua foto, senão você se mistura com a paisagem. Dentro da Wat  Pra Krao tem muitos bebedouros, daquele tipo que tem em posto de gasolina em estrada aqui no Brasil, então leve sua garrafinha e vai enchendo de vez em quando (não tem muito lugar de comprar lá dentro). Para ir de lá para Wat Arun nós pegamos um barco para atravessar o rio e que funciona como um ônibus local, é super barato.  É bem típico e entramos nuns lugares que pareciam uma favela para pegar ele, faça o mesmo, é entrar na cultura local e não se preocupe, Bangkok é bem seguro ainda mais para nós brasileiros que somos descolados.  Olhe bem pois tem plaquinhas  indicando o caminho e também pode seguir os outros turistas.  Ouvi dizer  que tem gente querendo atrair turistas para uns golpes, mas eu não vi isto acontecendo, não sei e é lenda urbana. Tem mais templos na cidade mas se não tiver muito tempo é melhor fazer por amostragem  e estes a meu ver são os melhores. Depois dos templos, se ainda estiver animada, neste mesmo lado da cidade fica a Khao San Road, é onde acontece a noite dos mochileiros (parte essencial da cidade), ali você vai ver espetinhos de insetos e outras coisas pitorescas. E tem bares para todos os gostos, os mais calmos ficam na Soi Ram Buttri.

Pôr do sol no Vertigo Bar


Se prefere algo mais sofisticado há muitas opções. Em BKK faz parte do roteiro básico visitar um top roof bar. Pra mim o melhor e com a melhor sensação de estar mesmo nas altura é o  Vertigo Grill and Moon Bar (21/100 South Sathon Road Sathon  no Banyan Tree Hotel). O melhor pôr do sol de Bangkok é aqui, mas cuidado com a conta, tudo é  caro.   Outro bem famoso é o Sky Bar do Lebua at State Tower (State Tower 1055/111 Silom Road, Bangrak, Bang Rake) é conhecido por ter sido onde foram filmadas  algumas cenas de "Se beber não case 2". As pessoas se vestem melhor para ir nesses bares mas são todos turistas então não é nada muito sofisticado como salto ou muita maquiagem, mas vestidos leves e casuais e um sapatinho melhor mas confortável.  Não pode entrar de shorts ou bermudas, nem chinelos. Se quiser jantar tem duas opções, já reservar antes pela internet ou chegar cedo e pôr seu nome na lista de espera.

Dia 3
Sugiro para este dia ir ao Floating market.  É algo que a principio era bem pitoresco mas agora já tem uma pegada  artificial de atracão turística e o mercado é cheio de produtos Made in China. Mas ainda assim vale a pena. Você pode comprar um tour para lá  antecipadamente em sites como o Viator ou Get your Guide, ou pode deixar para comprar lá na cidade mesmo. Eu contratei numa agencia da Khao Sam Road e paguei bem baratinho, eles me pegaram numa van no hotel e me devolveram perto dele. Seu hotel provavelmente também deve ter alguma agencia para indicar. Se você for do tipo explorador, procure por outros mercados que mantenham o formato mais tradicional e onde não vá tanto turista, talvez você tenha um pouco mais de trabalho mas vai ter uma experiencia mais real.  Claro que você também pode alugar uma "limousine" para  te levar, entre num site desses táxis exclusivos, fale para onde quer ir, que horas quer que te busque etc e aí já sai o preço e você pode pagar pela internet mesmo, funciona bem. Procure no google por Limousine service Bangkok (esse serviço também pode te levar para as praias como Pataya ou Kho Chang, ou ainda para o Camboja etc).  Esse passeio ao floating market termina tipo umas 15h então ainda dá tempo de fazer alguma coisa.

 Sabe aquele restaurante com cara de almoço com as amigas?  É o Ninth Cafe (59/5 Soi Langsuan, Pleonchit Road). Se estiver sentindo falta de um almoço calmo e num restaurante charmosinho, está é uma boa opção. É bom poder sentar num recanto com vegetação numa localização bem central em Bangkok. Tem uma boa variedade de os sucos naturais que misturam pelo menos 3 frutas frescas. Também gostei dos pratos tailandeses que podem ser preparados não muito picantes se você assim pedir. Ali perto tem muitos lugares para fazer massagem,  se ainda não tiver feito, já aproveita.

Siam Niramit

 A noite tem a opção de ir ao Siam Niramit. Se você gosta de musical, essa é uma boa pedida (19 Tiamruammit Road). Eles apresentam uma visão bem romântica e idealizada da historia da Tailândia, assim como da vida no campo mas é tudo muito bem feito e bem produzido então vale a pena ir. A visita a vila tailandesa e o show são muito bons. Compra os ingressos pelo site. Fui somente para assistir ao show e por isso cheguei já a noite, mas fiquei pensando que teria valido a pena comprar a entrada com jantar pois facilitaria ficar lá muitas horas assim poderia chegar ainda durante o dia e tirar fotos da vila com a luz diurna. Se prepare para o assalto do preço do taxi na hora de ir embora. Taxi em BKK é barato, use este meio de transporte, mas aqui eles abusam um pouquinho dos turistas trouxas, e não é fácil achar outra opção ali por perto, então encare. Ah, e pelo menos uma vez ande de tuk tuk, faz parte da viagem.

Se quiser ter uma noite como um local e não como um turista vá para  Sukhumvit, nesta região perto da Soi 55 tem alguns bares e restaurantes e é por ali que as pessoas locais saem, por locais, neste caso,entende-se os tailandeses de classe média alta e os ocidentais mais pacatos que moram na cidade (aqueles que não estão lá por causa das garotas). Um bar que eu gostei nessa area foi: The Iron Faires (394 Sukhumvit Soi 55 - Estação Thong Lor do BTS ) um pub  com variadas opções de cerveja e comida gostosa. Só isso já valeria a visita, mas ainda eles tem uma decoração muito legal e que lembra um atelie de ferreiro medieval e a musica ao vivo é muito boa. Só achei que era muito escuro lá dentro, talvez um pouco mais de intensidade luz faria bem.

Bangkok é muito mais do que isso mas com este roteiro você consegue pelo menos ter uma ideia do que a cidade pode oferecer. Boa viagem!

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Retornando

Amo escrever. E hoje me deu uma saudade imensa deste blog depois que nossa amiga Anapaula perguntou por ele no nosso grupo das Divas. Aproveitei que hoje é um dia atípico de calmaria e entrei. Nele encontrei um layout horroroso que coloquei sei lá quando e que a Fran não me pediu para tirar (como assim?), textos escritos no calor do momento e muitos comentários amorosos.

Vamos voltar a escrever neste espaço que é nosso e que começou em 2010, quando ainda não havíamos entrado nos 30 anos e de lá para cá, quanta coisa mudou dentro e fora de nós. Em tempos de facebook, snap chat, whatsapp e tantas outras redes sociais manter um blog é um saudosismo gostoso de quem gosta de imprimir os pensamentos e para quem gosta de ler.


Convidamos as amigas e amigas das amigas a escrever. Os leitores são diversos, as colaboradoras são mulheres. Então este espaço é nosso, sejam bem-vind@s. 

sábado, 24 de outubro de 2015

Nós, um bebê e Buenos Aires.

domingo, 15 de março de 2015

Eu e os blogs sobre maternidade: uma relação conflituosa

Depois de entrar no mundo da maternidade, publicitária conectada 24 horas por dia como sou, é claro que eu iria parar mais dia, menos dia, nos blogs sobre maternidade. Textos escritos por mães que desejam compartilhar suas experiências, estabelecer uma rede de relacionamentos, falar sobre suas visões sobre a criação de filhos e etc. Um universo muito maior que eu podia imaginar, com mais poder de formar opiniões que a minha reles visão de comunicadora já havia sido capaz de refletir em torno do tema.

Se eu pudesse dividi-los em duas categorias eles poderiam ser classificados em: (1) Lifestyle de classe média/alta com filhos e (2) Militância de maternidade ativa. O primeiro não precisa de muitas explicações, né? E é claro que estes eu descartei logo. O segundo tipo em geral fala do empoderamento feminino a partir da maternidade e suas diversas vertentes. Desde o parto até a vivência diária, “uma maternidade em que as mães sejam as responsáveis por suas escolhas, que vivam aquilo que escolheram por refletirem a respeito, sem viver somente as escolhas de outras pessoas. O que hoje buscamos é uma forma de ser mãe que liberte e fortaleça a mulher, que lhe dê autonomia, coragem e que fortaleça sua auto-estima, colocando-a como peça de mudança ativa no mundo.” (Lígia Moreira Sena, Blog Cientista que virou mãe)

Gosto da ideia de viver uma maternidade crítica, reflexiva, libertadora. Para mim a chegada de um filho tem que acrescentar, não limitar a minha visão e possibilidades no mundo. Sou mãe e todo o resto que a experiência feminina me possibilita. Por aqui somos uma equipe: eu e meu esposo trabalhamos para nos conectarmos com as necessidades de nossa filha (nutrição, sono, crescimento cognitivo, amor e segurança) e a ajudamos a se conectar com as necessidades de todos na família. Afinal a vida não precisa acabar com a chegada dela, apenas se adaptar e seguir em frente. Adaptar-se não é simples, mas sempre tem como complicar um pouquinho se a gente se deixar levar e não tiver clareza de princípios. E assim que tenho tentado me constituir enquanto mãe.

Caminhando nestas leituras encontrei muita coisa boa, útil, libertadora, reconfortante, dando especial destaque aos textos reproduzidos de Laura Gutman e sua visão muito humana da maternidade enquanto processo de autoconhecimento. E muita, mas muita coisa radical mesmo, sobre parto (humanizado), amamentação (livre demanda forever), alimentação (contra e a favor de papinhas, BLW, métodos de introdução alimentar), sono (da família e da criança), criação (com apego), disciplina (ou falta dela), slings (benefícios reais, usos contraditórios e crítica excessiva a outros suportes para transporte de bebês), a maternidade em si e seu lugar na constituição da identidade feminina (muitas vezes um papel único e limitador de todo o resto). A ponto de começar a questionar, mas será que a maneira que eu vivo a minha maternidade é adequada? Está fazendo bem para minha filha? Eu não me localizo nestas duas polarizações, e agora? Olha o contrassenso da minha falta de crítica e autoafirmação!

Em meio a estas angústias (reais!), um pouquinho de auto-análise e um bate-papo com uma amiga jornalista, também mãe de uma bebê, que compartilhava desta mesma agonia, analisamos o fato enquanto comunicadoras, para encontrar na teoria algo que justificasse a nossa relação com estes textos.

Num mundo de cultura midiática, já diria Douglas Kellner, aonde a revolução tecnológica modifica paulatinamente o trabalho e o lazer, o conteúdo propagado pelos canais de comunicação tradicionais ou não, como os blogs, acabam por ganhar imensa importância na constituição da identidade dos indivíduos. A cultura veiculada pela mídia transformou-se numa força dominante de socialização: suas imagens e celebridades (como as super top mothers dos blogs) substituem a família, a escola e a igreja como árbitros de gosto, valor e pensamento, produzindo novos modelos de identificação e imagens vibrantes de estilo, moda e comportamento.

“com o advento da cultura da mídia, os indivíduos são submetidos a um fluxo sem precedentes de imagens e sons dentro de sua própria casa, em um novo mundo virtual de entretenimento, informação, sexo e política está reordenando percepções de espaço e tempo, anulando distinções entre realidade e imagem, enquanto produz novos modos de experiência e subjetividade”. (KELLNER, 2002)

Estes modelos de experiência, certamente ajustados e editados, modificados e representados, portanto vibrantes de estilo, pareciam mais interessantes que a maternidade real aqui de casa. Além disso, num mundo pós-moderno, faz sentido opiniões polarizadas, inflexíveis e binárias do mundo? Olha só que coisa! Eu comunicadora, caí na pegadinha do mecanismo de funcionamento dos produtos midiáticos e me esqueci de questioná-los. 

São apenas pontos de vista, não são a verdade. Por mais que eu ainda me sinta meio solitária neste meu caminho do meio, é o meu caminho. Me faz feliz, buscamos viver harmonicamente a reorganização de nossas vidas com a chegada de um pacotinho de amor e suas surpresas, como uma amiga outro dia nos lembrou (Ju Prigucci, Embalanço), aprendo e desaprendo o tempo todo com a leitura dos blogs, dos livros e as conversas com gente aberta a viver a experiência de ser mãe, sem ter que carregar uma bandeira ideológica o tempo todo.

E viva a análise, né não minha gente?!


Ps: não tenho a intenção de transformar este blog em um espaço para falar sobre maternidade. Mas são reflexões de uma Diva que agora é mãe, então o assunto vem à tona, né?!

Referências:

KELLNER, D. A cultura da mídia – estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pósmoderno. Trad. Ivone Castilho Benedetti. Bauru: Edusc, 2002.

SENA, Lígia M. http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/01/maternidade-ativa-maes-para-um-mundo.html

domingo, 21 de dezembro de 2014

JESUS, A PRÉ-FESTA DO SEU ANIVERSÁRIO CANSA MINHA BELEZA

Outro dia li algo (não me recordo aonde) com que concordo plenamente: ao se aproximar o Natal, não sei se estamos comemorando o nascimento ou o calvário do Cristo. Anualmente no dia 24 de dezembro, por volta das 20:00, quando uma chuva fina cai lá fora e a cidade é invadida por um imenso silêncio (afinal estão todos como eu, tomando banho e se aprontando para a ceia que vem logo a seguir) sinto uma gostosa sensação de “Graças a Deus acabou!” e respiro aliviada. A paz toma conta do meu ser, pois a data que me tortura desde meados de novembro finalmente chegou.
O mais incoerente disso tudo é que adoro uma festinha, confraternizações sem motivo e pausas na rotina, pois penso que “o que se leva desta vida é a vida que se leva”, mas o calvário das compras, dos supermercados lotados, do trânsito infernal, das mil confraternizações em duas semanas, da ansiedade de metas e projetos ainda por cumprir até que o mundo entre em recesso por 10 dias, acabam com meu humor. Tudo isso me faz pensar: "Jesus amigo, eu odeio a pré-festa do seu aniversário. Ela cansa minha beleza!".
Então eu fiquei pensando ontem à noite:
• se as 11 confraternizações para as quais eu e minha família fomos convidados fossem distribuídas ao longo do ano, teríamos uma festinha com amigos ou colegas de trabalho (só os legais, por favor!) por mês até o próximo Natal. Acredito que se assim fosse, desfrutaríamos com mais disposição destes momentos e nossa amizade se fortaleceria;
• se nós transformássemos a ceia em 5 jantares (sim, há comida suficiente para isso) e criássemos momentos festivos para celebrar a vida em família o ano todo, nós teríamos uma deliciosa refeição para desfrutar a cada 2 meses cercados de gente que adoramos, sendo bem possível que a nossa convivência se tornasse melhor;
• se ao invés de comprar uma lista de presentes infinita para cumprir com o protocolo, gastando dinheiro com regalos sem afeto, eu comprasse um bom presente para cada uma destas pessoas em seus aniversários, com a intenção sublime de materializar o quanto são importantes para mim, este presente teria muito mais significado e estaria impregnado de uma deliciosa vibração de amor, gratidão e amizade. Além disso, o meu 13o salário seria empregado apenas em meu bem estar, sem culpa, afinal trabalhei muito e fiz por merecê-lo!
• se a gente buscasse recriar estes momentos de magia e imaginação para nossas crianças o ano todo, elas se tornariam adultos muito mais saudáveis;
• se as 4 campanhas de doação de presentes e donativos das quais participei (e você também) fossem fragmentadas em um ano, o espírito da solidariedade nos invadiria pelo menos a cada 3 meses, seríamos relembrados da importância de nos doarmos ao próximo, mais gente seria assistida em suas necessidades materiais e afetivas e quem sabe, nós começássemos a aprender a sermos bons;
E se isso tudo acontecesse, quando fosse 24 de dezembro novamente, eu teria disposição íntima para me sentar, buscar a sintonia do Cristo e agradecê-lo por sua passagem aqui na Terra ter nos ensinado a paz, a fraternidade e o amor ao próximo. E do fundo do coração dizer: Jesus, feliz aniversário!
Mas, por hora, eu só consigo pensar: chega 2 de fevereiro, mas não chega 25 de dezembro. Será que rola começar a planejar hoje, o Natal de 2015?

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Instagram, representação de mim



Meus estudos sobre representação, em especial, nos documentários com sua “simulação de realidade” me ensinaram uma coisa: o olhar do diretor seleciona aquilo que é importante dentro de seu contexto para discorrer sobre o tema do filme. Ele não precisa dizer nada, nem de voz over[1], mas aquilo que ele escolhe dar visibilidade contém seu pensamento e sentimentos de maneira implícita, diz sobre o diretor, muito mais que sobre o objeto em si.
Pois bem, se o meu instagram fosse um filme sobre minha vida, sobre o qual eu pudesse tecer uma análise de mim mesma em terceira pessoa, eu diria: essa moça é publicitária, entende de imagem e de cinema, mas escolheu não se representar assim. Por quê? Suas imagens não representam o olhar de uma especialista na área. Talvez ela tenha tentando, mas simplesmente decidiu que ali não era lugar de fazer pose, parecer cult e legal. Andava meio cansada disso tudo.
Creio que talvez ela tenha ficado na dúvida, achou por alguns momentos que seu olhar fosse desinteressante, quem sabe por não parecer muito perspicaz aos olhos do mundo ou acerca do que esperavam que ela produzisse para esta maravilhosa rede de narcisismos incontáveis.
Assim, na obra documental de Francielle Felipe Faria de Miranda, observamos um número sem fim de temas recorrentes: ela e seu marido (nunca só ele ou só ela, sempre os dois), seus sobrinhos, suas irmãs, suas amigas e amigos, suas flores, seus cafés e alguns lances de eventos espíritas. Tem um pouco de dança e música também.
Ah, essa moça não sabia, nunca tinha parado para perceber o quanto de doçura há em seu coração. O andar dela é altivo, sempre bem arrumada (dizem que ela tem estilo), fala com uma braveza, expõe suas opiniões com tanta ênfase e certeza, é crítica, ágil, parece tão forte, mas o "filme" mostra outra faceta desta mesma vida: um mundo de feminices, fofurices, sentimentos doces e nobres, poesia.
A diretora não tem costume de falar sobre os temas que aparecem neste produto cultural da forma como ela os coloca ali, foi uma construção quase inconsciente, mas eles estão lá na sua obra. A “voz do documentário”[2] é representação de si mesma, em tons quentes, aveludados, com textura de sonho. Coisas que vêm lá do coração e que ela parece nunca ter enxergado sobre si mesma.
Menina boba essa diretora. Menosprezou seu filme, achou que ele era insosso, quando na verdade é uma dessas obras que fazem a gente pensar: existem outras coisas que precisam ser enaltecidas nesta vida. Família, casamento, união, amizades, pausas revigorantes, longas conversas, boas risadas e um sentimento de reverência para o Deus que criou e possibilitou isso tudo.
Talvez nunca tenha tido a chance de olhar para si através de outro prisma, mas agora que olhou, descobriu que é muito mais do que imagina. Leu as críticas, demorou a acreditar no que diziam sobre seu filme, sobre o seu olhar, mas concluiu: eles estão certos.


[1] Ocorre quando ouvimos a voz do diretor a fazer algumas considerações no filme documentário, como um narrador.
[2] Conceito cunhado por (NICHOLS, 1997) na publicação Introdução ao documentário, da editora Papirus.
A voz do documentário transmite qual é o ponto de vista social do cineasta e como se manifesta esse ponto de vista no ato de criar o filme. Fala através de todos os meios disponíveis para o criador, em especial, seleção e arranjo de som e imagem que conduzem a lógica organizadora do filme.
A voz aparece como um dos elementos de análise da representação nos documentários, que inclui ainda outros elementos tais como os aspectos sonoros, imagéticos, estilísticos e lingüísticos.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

De Brad para Angelina



Recentemente li um texto divulgado na internet a respeito de um momento da relação de Brad Pitt e Angelina Jolie (leia o texto clicando aqui). Surpreendi-me ao ver os comentários contrários a minha primeira leitura do texto, pois, as pessoas estavam entendendo o comportamento de Brad Pitt como uma atitude machista. Então resolvi reler o texto e minha segunda impressão foi a mesma da primeira. Reli mais algumas vezes e não consegui alterar meu raciocínio. Por isso, a pedido de minha querida amiga e jornalista Ana Carolina, compartilharei o que eu vi.
Digo o que eu vi porque opiniões são sempre diversas uma das outras e acho ótimo que assim sejam, pois cada um tem sua verdade que está recheada de nós mesmos, de nossa formação profissional, religiosa e história de vida e é isso que torna cada verdade única não existindo assim uma única verdade. Quando nós conseguimos compreender isso percebemos o quanto a vida e as relações são ricas e uma grande oportunidade de crescimento e aprendizado.
Tenho visto muitos casamentos desfeitos. Hoje em dia permanecemos casados enquanto está bom. Pelo menos pra um dos lados. Lutamos muito pouco pelo outro e para manter o casamento. Diante das dificuldades nos abatemos e nos entregamos. Desistimos facilmente daquilo que não está dentro dos nossos moldes de felicidade. Por que as relações ficaram assim? Afinal, antigamente, no tempo dos nossos avós, casamento era pra vida toda. Mesmo que isso significasse ser infeliz. Não estou defendendo que o certo eram as relações antigas e nem mesmo as novas. Afinal, o mundo e as pessoas vão mudando, as necessidades passam a ser outras e a gente vai se adaptando. A verdade é que existem muitos fatores que contribuíram pra essas mudanças no casamento, dentre elas estão as conquistas femininas que deram mais voz e direito as mulheres, além de vivermos em uma cultura que alimentou em nós, homens e mulheres a ideia de liberdade, poder e individualismo.
 Bem, digo tudo isso para compreendermos porque para algumas pessoas Brad é um machista. As mulheres lutam pelo seu direito a liberdade e Brad simplesmente diz que “A mulher é o reflexo de seu homem”.  Porém, como Psicóloga não posso deixar de dizer que o comportamento de alguém pode sim interferir no comportamento do outro. A vida é sistêmica. Quando tomamos uma atitude podemos alterar a vida da outra pessoa que, para se adaptar a quem nos tornamos terá que mudar seu próprio comportamento. E o mais difícil é que nem sempre estamos fortes o suficiente para suportar as mudanças impostas e muitas vezes nos entregando as situações, terminamos deprimidos ou com tantos outros sofrimentos psicológicos. E não é disso que o texto trata? Não é a partir do comportamento alterado de Angelina que se tornou praticamente uma “megera” que Brad resolve mudar a sua forma de encarar sua mulher e essa situação?
Ele viu seu casamento à beira do divorcio. Até que ele percebeu que sua mulher apesar de estar irreconhecível a seus olhos, ainda era a mulher pela qual ele se apaixonou. Era a mesma mulher, tudo aquilo de bom que o fez se apaixonar ainda estava ali, escondido em algum lugar e ele estava disposto e determinado a ter tudo isso de volta. Ele a presenteou, falou dela para os outros e fez o que pode para recuperá-la, para mostrar o quanto ela era importante para ele. Fez ela mesma se recordar de quem ela era para assim retomar a vontade de ser e de viver sua vida. Assim, redescobriram o amor. Pois, Angelina redescobriu o amor próprio.
Ah o amor próprio, a autoestima! Está aí mais uma coisa que estamos nos esquecendo. Esquecemos de nos cuidarmos. Vivemos correndo, tendo que nos adaptar a isso ou aquilo e esquecemos de quem nós somos. Da nossa identidade, do que verdadeiramente queremos e acreditamos. Ora, amar a si mesmo é o primeiro passo para amar o outro. Nathaniel Branden, em seu livro A Psicologia do Amor vai mais além e diz “Se não nos amamos, é quase impossível acreditarmos que somos amados por outra pessoa. É quase impossível aceitar o amor. É quase impossível receber amor. Não importa o que nosso parceiro faça para mostrar que se importa conosco, não sentiremos convicção na devoção, pois não nos sentimos merecedores de amor”.
Autoestima todos nós temos uns mais, outros menos, capacidade para recuperá-la também. Precisamos de foco em nós mesmos e disposição para mudar a situação. É claro que ninguém é responsável pela felicidade do outro. Essa missão é de cada um. No entanto, receber ajuda para se reerguer com certeza é importante; em alguns casos imprescindível. Brad teve foco em sua mulher e em seu casamento, não se esqueceu de quem ela é apesar dela mesma ter se esquecido. 
Percebi então, depois de ler tantas vezes o texto que toda essa discussão não é uma questão de gênero (homem - mulher), mas de evolução espiritual, de uma conquista individual. Quantas vezes vemos amigos se afundarem ao viver momentos difíceis na vida, chegando a não reconhecê-los e nos afastamos por não saber como agir? Enquanto na verdade, não precisamos saber dizer as palavras mais sábias, bastando apenas presença sincera, abraço fraterno e acolhedor. Saber ajudar e enxergar o outro como ele realmente é e se empenhar para ajudá-lo exige de nós maturidade, autoconhecimento, humildade e amor ao próximo. Quem está em preparado?

*Por Thaís Prado - psicóloga convidada a escrever para o Reflexões de uma Diva