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segunda-feira, 1 de julho de 2013

De Brad para Angelina



Recentemente li um texto divulgado na internet a respeito de um momento da relação de Brad Pitt e Angelina Jolie (leia o texto clicando aqui). Surpreendi-me ao ver os comentários contrários a minha primeira leitura do texto, pois, as pessoas estavam entendendo o comportamento de Brad Pitt como uma atitude machista. Então resolvi reler o texto e minha segunda impressão foi a mesma da primeira. Reli mais algumas vezes e não consegui alterar meu raciocínio. Por isso, a pedido de minha querida amiga e jornalista Ana Carolina, compartilharei o que eu vi.
Digo o que eu vi porque opiniões são sempre diversas uma das outras e acho ótimo que assim sejam, pois cada um tem sua verdade que está recheada de nós mesmos, de nossa formação profissional, religiosa e história de vida e é isso que torna cada verdade única não existindo assim uma única verdade. Quando nós conseguimos compreender isso percebemos o quanto a vida e as relações são ricas e uma grande oportunidade de crescimento e aprendizado.
Tenho visto muitos casamentos desfeitos. Hoje em dia permanecemos casados enquanto está bom. Pelo menos pra um dos lados. Lutamos muito pouco pelo outro e para manter o casamento. Diante das dificuldades nos abatemos e nos entregamos. Desistimos facilmente daquilo que não está dentro dos nossos moldes de felicidade. Por que as relações ficaram assim? Afinal, antigamente, no tempo dos nossos avós, casamento era pra vida toda. Mesmo que isso significasse ser infeliz. Não estou defendendo que o certo eram as relações antigas e nem mesmo as novas. Afinal, o mundo e as pessoas vão mudando, as necessidades passam a ser outras e a gente vai se adaptando. A verdade é que existem muitos fatores que contribuíram pra essas mudanças no casamento, dentre elas estão as conquistas femininas que deram mais voz e direito as mulheres, além de vivermos em uma cultura que alimentou em nós, homens e mulheres a ideia de liberdade, poder e individualismo.
 Bem, digo tudo isso para compreendermos porque para algumas pessoas Brad é um machista. As mulheres lutam pelo seu direito a liberdade e Brad simplesmente diz que “A mulher é o reflexo de seu homem”.  Porém, como Psicóloga não posso deixar de dizer que o comportamento de alguém pode sim interferir no comportamento do outro. A vida é sistêmica. Quando tomamos uma atitude podemos alterar a vida da outra pessoa que, para se adaptar a quem nos tornamos terá que mudar seu próprio comportamento. E o mais difícil é que nem sempre estamos fortes o suficiente para suportar as mudanças impostas e muitas vezes nos entregando as situações, terminamos deprimidos ou com tantos outros sofrimentos psicológicos. E não é disso que o texto trata? Não é a partir do comportamento alterado de Angelina que se tornou praticamente uma “megera” que Brad resolve mudar a sua forma de encarar sua mulher e essa situação?
Ele viu seu casamento à beira do divorcio. Até que ele percebeu que sua mulher apesar de estar irreconhecível a seus olhos, ainda era a mulher pela qual ele se apaixonou. Era a mesma mulher, tudo aquilo de bom que o fez se apaixonar ainda estava ali, escondido em algum lugar e ele estava disposto e determinado a ter tudo isso de volta. Ele a presenteou, falou dela para os outros e fez o que pode para recuperá-la, para mostrar o quanto ela era importante para ele. Fez ela mesma se recordar de quem ela era para assim retomar a vontade de ser e de viver sua vida. Assim, redescobriram o amor. Pois, Angelina redescobriu o amor próprio.
Ah o amor próprio, a autoestima! Está aí mais uma coisa que estamos nos esquecendo. Esquecemos de nos cuidarmos. Vivemos correndo, tendo que nos adaptar a isso ou aquilo e esquecemos de quem nós somos. Da nossa identidade, do que verdadeiramente queremos e acreditamos. Ora, amar a si mesmo é o primeiro passo para amar o outro. Nathaniel Branden, em seu livro A Psicologia do Amor vai mais além e diz “Se não nos amamos, é quase impossível acreditarmos que somos amados por outra pessoa. É quase impossível aceitar o amor. É quase impossível receber amor. Não importa o que nosso parceiro faça para mostrar que se importa conosco, não sentiremos convicção na devoção, pois não nos sentimos merecedores de amor”.
Autoestima todos nós temos uns mais, outros menos, capacidade para recuperá-la também. Precisamos de foco em nós mesmos e disposição para mudar a situação. É claro que ninguém é responsável pela felicidade do outro. Essa missão é de cada um. No entanto, receber ajuda para se reerguer com certeza é importante; em alguns casos imprescindível. Brad teve foco em sua mulher e em seu casamento, não se esqueceu de quem ela é apesar dela mesma ter se esquecido. 
Percebi então, depois de ler tantas vezes o texto que toda essa discussão não é uma questão de gênero (homem - mulher), mas de evolução espiritual, de uma conquista individual. Quantas vezes vemos amigos se afundarem ao viver momentos difíceis na vida, chegando a não reconhecê-los e nos afastamos por não saber como agir? Enquanto na verdade, não precisamos saber dizer as palavras mais sábias, bastando apenas presença sincera, abraço fraterno e acolhedor. Saber ajudar e enxergar o outro como ele realmente é e se empenhar para ajudá-lo exige de nós maturidade, autoconhecimento, humildade e amor ao próximo. Quem está em preparado?

*Por Thaís Prado - psicóloga convidada a escrever para o Reflexões de uma Diva

2 comentários:

Ângela Nery Soares disse...

Poxa, fantástico!!!AMEI!!

Lívia Costa disse...

Adorei a reflexão. Eu também tinha achado um pouco machista no começo. Cada um é responsável por si, mas não podemos esquecer que ninguém é uma ilha.