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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Familhês

Outro dia, conversando com meu marido ele disse algo num tom de voz muito baixo e embolado. Eu, prontamente comentei: “- Nossa Juruna! ‘Traz a bacia’ por que eu não entendi nada do que você falou”. Ele obviamente não entendeu e perguntou - “Traz o quê?”. Quando me dei conta expliquei: - ‘Traz a bacia’ é uma expressão que eu e minhas primas usamos para dizer que a voz ou o som da TV está muito baixo. Por quê? Bem... o nosso tio-avô Antônio era surdo-mudo e com complicações neurológicas, quando estava muito velhinho ficava o dia todo em frente a uma televisão no mute, com uma bacia de cerragem do lado para cospir a saliva que não conseguia engolir. Como crianças são más, ‘Traz a bacia’ é uma alusão ao hábito do tio de assistir TV no mute. Daí para virar piadinha e depois hábito foi um passo!
Toda família tem aquele dialeto próprio, gírias muitas vezes incompreensíveis para quem está de fora. Quase sempre estas palavras têm uma história por trás ou uma explicação maluca. Em outras situações é também uma piadinha interna, absolutamente sem graça para quem está de fora, mas que passa de geração para geração.

Para o meu pai, quando a criança está inquieta procurando algo para fazer ou “inventado moda” ele diz que Fulano “está caçando a Joana”. Eu não sei o que a Joana nossa ex-vizinha tem a ver com isso, mas minha mãe, eu e minhas irmãs adotamos a expressão.

Quando alguém, em especial uma criança, é muito custosa ele diz que Ciclano “tem fogo no butão”. E a gente fala isso, como se não estivesse proferindo nenhum palavrão.

Na família da minha amiga Roberta, “códemiro” é a expressão usada para acusar jocosamente alguém de estar usando uma calça com a cintura alta demais. Quer saber da história? O tio Claudemiro gostava de usar suas calças assim. A sua esposa, que era nordestina, o chamava de “Códemiro”. A Dna. Lena (mãe da Roberta) e seus irmãos riam muito do visual do tio e seu apelido virou sinônimo de “você está ridículo com esta calça centropeito”. Hoje a terceira geração deles também usa a palavra e nem sabe o porquê.

Eu poderia fazer uma lista imensa de expressões engraçadas, mas talvez elas tenham graça só para mim. Então eu queria saber, qual é o seu “familhês” preferido?

Fran

Um comentário:

Ana Carolina Carvalho disse...

Nossa!! o diego vive falando que ue tneho um dialeto próprio, fundido das expressões de Uruaçu e Bela Vista. Isso é pq fui criada por vó, criatura que mais tem expressões engraçadas. Uma delas é brincadeira de jogar boi n'água, que sem refere a uma brincadeira sem graça. Quando alguém está comendo algo e já falando em outra comida, minha vó chama de Chico das Abóboras. Segundo ela esse Chico era um homem em Bela Vista, que enquanto comia, falava de boca cheia: "muié, pega umas abóbra no quintal para fazer pra mais tarde". eu também teria uma infinidade de expressões e palavras, que acabou incorporando no meu dia a dia e às vezes uso sem perceber! Adorei este post!!