segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Estranha semelhança


O dia amanheceu cinzento, a atmosfera parecia estranha. O ar pesado incomodava. Uma sensação de calor e compressão bizarra para um dia qualquer como aquele.
De repente pessoas correndo, tentando se proteger, pois o pior poderia acontecer se ficassem por ali. Trânsito anormal e uma certa tensão no ar.
Eis que verte o líquido.
O céu volta a ficar azul, um frescor gostoso toma conta de todos ao seu redor. Alegria e bom humor.
Chuva? Não. É só o fim de mais uma TPM.

Por Francielle Felipe

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pânico de biquini

Estamos na primeira semana de setembro e um mau súbito me acometeu enquanto corria na esteira da academia: medo do biquíni que pretendo usar no final de dezembro ou janeiro do próximo ano.

Entre reações de ojeriza e olhadas insistentes para o espelho, concluo que talvez fosse a hora de aposentar o biquíni e adotar o democrático maiô. Comprime a barriga, disfarça os pneus, etc, etc...

Pensando bem, maiô não é coisa de vó? Aumento a velocidade da esteira para poder “pensar” melhor.

Depois de observar manchetes de revistas de boa forma e fitness, vêm as idéias brilhantes: E seu eu me alimentasse apenas de shakes nos próximos três meses? Quanto custa a meia calça invisível da Joelma (Banda Calipso)? Por que eu nem estou assim tão gorda, se conseguisse disfarçar as celulites com essa maquiagem para as pernas já estaria de bom tamanho. Será que é a prova d’água? E massagem modeladora, resolve? Auriculoterapia para emagrecimento, bambuterapia, carboxiterapia, ultrassom, plataforma vibratória e outros instrumentos de tortura em uma única sessão. Será que cabem naquele meu intervalo de uma hora? Será que o Dr. Lázaro ainda comercializa fórmulas clandestinas? E o tal do chá verde, hein?!

Sinto um suor frio escorrendo pelo rosto. Taquicardia. Ai meu Deus, me ajuda! Talvez seja a hora de procurar um psiquiatra.

Eis que ouço uma voz distante e grave: “Diva, por favor, sem histeria!”.

Meio tonta, saio do transe e volto à velocidade 5.7 da esteira.

Por Francielle Felipe

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Informe-se

Nada pior do que gente limitada. Cremes, academia e aulas de etiqueta não sustentam o título de Diva. Vamos tomar cuidado com o que a gente diz, escreve ou simplesmente encaminha por email a respeito das eleições e dos candidatos. A internet está lotada de informações falsas e/ou desencontradas sobre alguns candidatos. As pessoas não sabem o que é direita, esquerda, golpe militar, anistia, UNE e outras palavrinhas básicas para qualquer eleitor.

Eu recebo cada email de pessoas que já eram adultas na época do Golpe Militar, que dá vontade de me afogar num cuspe! Acho que estava em Marte quando tudo aconteceu. Vamos esclarecer algumas coisas: a maioria desses grandes políticos da atualidade, que estão concorrendo à presidência, senado e câmara federal atuou na UNE e em outras instituições estudantis, a favor de um País mais justo e democrático. Ou seja, eram contra o regime militar e lutaram contra isso.

Lutar contra um regime vigente pressupõe burlar regras e leis. Logo, ir preso. Então, esqueçam estes emails com piadas ou com acusações sem uma fonte segura na hora de escolher seu voto. Analise como está o País e como você quer que ele esteja nos próximos 4 anos. Um pouco de reflexão não faz mal a ninguém. Assistir ao horário eleitoral parece chato, mas conseguimos entender melhor as propostas dos candidatos e dos partidos. E lembre-se do que viu e leu durante os últimos anos sobre os candidatos e pense em qual merece seu voto de confiança.

Deixe de se omitir nas discussões políticas. Apresente sua opinião, ela é importante para que dúvidas sejam sanadas e mais conhecimento seja compartilhado. Mais do que mulheres gostosas e bem maquiadas, o Brasil precisa de Divas formadoras de opinião, que sabem o que querem para seu País.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Destino, Belém

Amortecida pela visão aérea da floresta amazônica, já desci do avião simpática às suas linhas diante da exuberância dos rios que formam a península onde a cidade se localiza. Senti o baque do calor úmido e da pressão atmosférica fortemente. Mas, o universo desconhecido e de beleza surpreendente que se descortinou aos meus olhos me deixou tão espantada e envergonhada com o desconhecimento daquilo tudo, que logo me recuperei e lá fui desbravar aquela cidade.

Pôr-do-sol na Casa das 11 Janelas
Entre palestras, mesas redondas e apresentações de artigo, a cada dia uma nova descoberta. Belém é cheia de sabores, cheiros, história, natureza e cultura.

Pausas belas e saborosas na Casa das Onze Janelas e na Estação das Docas na companhia bem humorada da Márcia, minha amiga de luta acadêmica e companheira desta viagem. Um pôr-do-sol inesquecível. Chopp artesanal. Vento no rosto. Filhote com crosta crocante e risoto de maçã. O M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O Sorvete da Cairu. Saquerinha. Ar condicionado.

A imponência da Catedral da Sé, sua beleza e um pouco de história. Imagens do inacreditável Círio de Narazaré. Museu de arte sacra. Fé.

Márcia comprando o "Cheiro do Pará"
no mercado
Uma caminhada descontraída no Mercado Ver-o-peso. A cara do povo e seus sotaques. Calor. Suor escorrendo por todo o corpo. Essências perfumadas das plantas amazônicas, ervas para todos os objetivos: “O cheiro do boto”, “Tira Chifre”, “Engravida Rápido”, “Viagra da Floresta”. O odor da maniva em cozimento. A praça dos pescadores.

A arquitetura da cidade velha e a magnificência dos prédios do ciclo da borracha. Tudo de encher os olhos.

Rose, eu, Profa. Telma, Profa. Cintya
e Aline 
Não poderia deixar de mencionar os taxistas, que mereceriam um capítulo à parte e a simpaticíssima Rose, que nos acolheu amorosamente e “deu aulas” valorosas sobre a história de Belém.

Dentro do borboletário no
Mangal das Garças
Última parada: Mangal das Garças. Entre borboletas, vitórias-régias, pássaros e uma vista deslumbrante do rio, um “Filhote ao cheiro de kiwi e manjericão” inexplicavelmente gostoso para brindar o fim de nossa pequena jornada.

Sim, há pobreza, a comida típica parece estranha e não há saneamento básico em todos os lugares, mas Belém é muito mais que isso!

Volto na certeza que não vi tudo, mas com a sensação de quem recebeu uma grata surpresa do universo para reiniciar o semestre cheia de energia. Quer um conselho? Conheça Belém do Pará.

Por Francielle Felipe

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Com muito amor, da Carol



A vida da gente é recheada desde o nascimento à morte por momentos de alegria, dor, angústia, afeto, dentre outras surpresas que só nos são reveladas quando Deus sabe que estamos prontos para enfrentá-los. Embora muitos digam que "A ninguém é dado uma cruz maior do que pode carregar", acredito que na verdade a ninguém é dado uma cruz maior do que a quantidade de amigos para ajudar a carregar.

A Vida me ofertou um milhão de amigos (alguns deles sozinhos, valem por mil). No momento de maior susto que passei nesta existência reconheci a cada um deles. Tenho a convicção que os problemas que enfrentamos, e muitas vezes até achamos que não merecemos, são presentes de Deus. Ele oferece a grande oportunidade, algumas vezes única, de reconhecer os verdadeiros anjos desta longa caminhada na Terra. Cada gesto de solidariedade, seja ele motivado pelo amor, amizade, caridade, autrísmo ou qualquer outro sentimento positivo, representou um feixo do amor divino me invadindo e me fortalecendo.

Muito, muito, muito obrigada por cada um que viveu comigo a insegurança de ficar doente (em nenhum momento acreditei que estava doente, mas receava que poderia ficar). Deus sabe a imensa gratidão que sinto pelas energias positivas que sei que recebi. Foram elas que não me deixaram desanimar em nenhum momento. Pude sentir muito nitidamente o amor de todos meus familiares, amigos, colegas e até conhecidos. Sei que sou privilegiada por estar em meio a milhões de amigos, por isso homenageio a cada um deles neste post. Sintam-se abraçados, beijados e inundados de amor e gratidão, porque este é o meu sentimento.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Coisas que um professor precisa falar

Este é um desabafo de fim de semestre, que eu estou pensando seriamente em transformar em texto e ler no primeiro dia de aula a fim de tornar o meu trabalho mais tranqüilo. Sei que alguns colegas de docência universitária irão concordar:


Caro aluno,

Preste bastante atenção nas informações que seguem abaixo:

1 - Atestado médico não abona falta, só justifica e eu não posso fazer nada a respeito.

2 - Conciliar o seu ganha pão com a faculdade é sua responsabilidade. Portanto, declarações de trabalho não significam nada pra mim.

3 - Se você está formando é porque consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo, desta forma, também não é minha responsabilidade te fornecer tempo dispensando-o das minhas aulas.

4 - Por mais que você se recuse a acreditar, cópia da internet é plágio. E isso é crime! Aceite e viverás melhor.

5 - O mercado agradece qualquer tipo de incompetência sua. São menos concorrentes, e eu professor, membro deste mercado, tenho prazer em te reprovar por incapacidade.

6 - Desde a 4ª série que você faz provas à caneta. Essa pergunta já deu o que tinha que dar! Aliás, você já não tinha perguntado isso na N1?

7 - Você pode não acreditar, mas eu vou realmente ler seus trabalhos.

8 - Eu não dou meu endereço para entrega de trabalhos e se você aparecer por lá eu chamo a polícia. Isso é invasão de privacidade.

9 - Não acreditarás nas instruções dos seus colegas, elas certamente estarão erradas. Cola em mim que é sucesso!

10 - Não achou o texto na xerox? Conhece aquele lugar chamado biblioteca? Pois é...lá tem tudo original e é de graça, acredita?!
Ufa, tô muito mais aliviada!

Por Francielle Felipe

quinta-feira, 3 de junho de 2010

As palavras

Incrível como de repente, algumas palavras e dizeres caem no automatismo e deixam de fazer significado real, perdem sua taxa de informação: bom dia, boa tarde, vá com Deus, tenha uma boa viagem, como vai...
Raramente as proferimos almejando ou impregnando-as do seu sentido real. Me dei conta disso hoje pela manhã na fila do supermercado quando um sujeito, que nunca vi, olha para mim sorridente e diz "Bom dia, como você está?", eu meio sem jeito, no fundo implorando que ele não me importunasse mais e imaginando que tratava-se apenas de boa educação, respondo: "Tudo bem".
Ele olha para mim e comenta: "Que bom! Só da gente estar vivo, ter saúde e bons amigos não precisa de mais nada! Se Deus me conservar do jeito que estou até o fim da vida serei eternamente grato. Olha que eu não tenho nada de meu."
Sorri. Não disse nada, mas aquilo me tocou tão profundamente! (coisa de canceriana)
Parei para pensar o quanto significativo e abençoado é poder dizer que está tudo bem em sua vida. Em um segundo de prece, agradeci ao alto a existência, a saúde, os bons amigos e minha família.
Isso me fez bem, muito bem.
Realmente ouvir o que nos dizem e falar com a intenção própria de cada palavra para sentir melhor quem está ao nosso redor, faz a diferença em nossas relações interpessoais. Pelo menos fez pra mim.

Francielle Felipe