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sábado, 2 de janeiro de 2010

Delirius tremis

Na busca por paz na Campo da Paz me deparei com uma ansiedade que me deixou com vergonha de mim mesma: medo de engordar. Como se por acaso, eu tivesse conseguido emagrecer alguma coisa.
De repente, fui invadida por um medo estranho de embarcar naquela onda de prazeres gastronômicos que é ficar ao meu bel prazer de cozinhar, transitando pelas cozinhas da Dona Vera e Dona Rosinha, parando no meio do caminho por um Manjar da Dona Gercina, virando na esquina do Pastelinho de Goiás e derrapando na empada da Patricinha.
Subitamente, sou pega em pânico na eminência de uma maldita e deliciosa torta de banana frita que arruína toda a minha disciplina do dia. O diálogo animado que embala a delícia anuncia a pamonhada que, como um evento, brindará o domingo. Ufa! Eu penso. Graças à Deus vou embora sábado à tarde.
Como quem ouve os meus pensamentos, e conspira contra mim, Dona Rosinha conclui: Vamos fazer as pamonhas sábado. Todo mundo vai embora domigo.
O pânico me assalta outra vez: conseguirei resistir?
Para melhorar, o joelho volta a doer, na tentativa de correr um pouco para equilibrar a balança da comilança. Tudo está contra mim!
Dá-lhe Surya Namascar A, B, algumas asanas e exercícios de respiração para um pouco de centramento. Estou perdendo o controle, migrando para o lado negro da força. Não era para ser divertido?
Começo a pensar que o melhor lugar do mundo para passar férias é Goiania. Lá tem academias e a minha casa fica bem longe dessas cozinhas malditas.
Que horror!
E seguem pães de queijo, coca-cola, peixe frito, paçoquinha, pavê de olho de sogra, picanha...mais empada e só!
O que a balança tem para me dizer depois de tudo isso? Conseguirei cumprir a promessa de emagrecer 5 quilos em 2010?
Aí, outra angustia me invade: preciso mesmo de tanta neura? Até que ponto vai esta insatisfação? Fruto do que e para que? Feliz, notadamente bonita e admirada por marido, platéia, fãs, amigos e alunos, out of standart – of course. Mas, então? Merecia ter perdido alguns minutos desta preciosa semana tendo alucinações onde sentia a comida que descia pela minha garganta escorrendo direto para o depósito acima dos meus quadris?
De quem é a culpa?
Encerro sem saber, mas desta forma não há como ter paz, nem permanecer.

Francielle Felipe

Um comentário:

Eduardo disse...

adorei... me senti dentro da minha família em festa de fim de ano... kkkkk...